sábado, 16 de maio de 2026

O Encanto da Tenda da Tati no Sarau da Emoção

 


​A tarde caía mansa sobre a Praça Governador Portela, vestindo Bom Jesus do Itabapoana com aquele azul-crepúsculo que convida a poesia a sentar-se no banco da praça. Era a primeira edição do Sarau da Emoção, e a cidade parecia respirar uma melodia antiga, feita de encontros, risos soltos e o burburinho doce da gente que se reconhece no olhar. No entanto, no coração daquela praça, havia um magnetismo especial, um farol de cores que exercia um fascínio irresistível sobre os passantes: a tenda da Tati.

​Não era apenas um ponto de venda; era um portal para a imaginação, indiscutivelmente o recanto mais procurado da noite. Quem dela se aproximava, esquecia o relógio. Os olhos, antes cansados da rotina, ali se acendiam diante de um verdadeiro mosaico de afetos moldados em relevo.

​Sobre a toalha branca, repousava um universo inteiro esculpido em formas vibrantes. Havia letras monumentais e tridimensionais, como o "H", o "A" e o "M" que pareciam soletrar o início de histórias secretas, pintadas nos tons do pôr do sol e do romance. Corações entrelaçados em rosa vivo pulsavam estáticos, capturando a essência lírica daquele sarau.

​Mais adiante, o lúdico ganhava vida. Pequenas criaturas, pokebolas enigmáticas, dragões articulados e delicadas figuras que pareciam saídas de contos de fadas ou de galáxias distantes dividiam o espaço com saias vermelhas estruturadas e geometrias perfeitas. Cada peça, fruto de uma tecnologia que ali se fazia arte, reluzia sob a luz do teto de lona, pedindo para ser tocada, sentida e levada para casa como um pedaço eterno daquela noite mágica.

​Ao redor do balcão, a cena se repetia como um poema em prosa. Rostos jovens e maduros se inclinavam, fascinados, divididos entre a dúvida do desejo e o encantamento da descoberta. Mãos apontavam, sorrisos se abriam e Isac, esposo de Tati, e seu filho, Kayo Nicolas Motta Nascimento, membro da ABIJAL (Academia Bonjesuense Infantojuvenil de Artes e Letras), com a delicadeza de quem conhecem o valor de cada sonho exposto, transformavam o ato da compra em um singelo aperto de mãos entre o criador e o mundo.

​O Sarau da Emoção passará, os ecos das músicas e das poesias encontrarão repouso nas esquinas do tempo. Mas nas estantes daquela gente de Bom Jesus, cada objeto saído da tenda da Tati continuará a palpitar, sussurrando baixinho que a beleza, afinal, é tudo aquilo que a gente consegue moldar com o coração.















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