Por Gino Martins Borges Bastos
Em meus imensos estudos de xadrez, desde a juventude até chegar à chamada melhor idade, uma lição sempre parecia ocupar um lugar central: evitar a convivência com pessoas que só sabem reclamar.
Os técnicos de xadrez ensinam cedo que há partidas vencidas antes mesmo do primeiro movimento. Não basta conhecer aberturas nem decorar finais brilhantes; é preciso escolher, ao redor do tabuleiro, quem soma silêncio, visão e coragem.
Os que apenas reclamam são como relógios quebrados sobre a mesa: consomem o tempo, desorganizam a mente e transformam cada possibilidade em anúncio de derrota.
O enxadrista aprende que o pensamento é terreno fértil. Se ele é cercado pela névoa constante das queixas, os cavalos hesitam, as torres perdem o horizonte e até a rainha parece menor diante do medo alheio.
Por isso, afastar-se não é desprezo; é estratégia de sobrevivência. Há pessoas que enxergam armadilhas em toda estrada e esquecem que também existem jogadas geniais. Vivem dizendo “não dá”, enquanto a vida espera apenas um movimento preciso de confiança.
O verdadeiro jogador de xadrez protege a própria mente como protege o rei: com atenção, paciência e distância segura do caos inútil.
Porque quem só reclama quase nunca percebe o instante exato em que a partida pode virar.

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