Na literatura, existem encontros que transcendem a simples escrita e se transformam em tributo perene. É exatamente isso o que revela a sensibilidade do poeta João Roberto Vasco Gonçalves, renomado escritor, historiador, poeta e ativista cultural capixaba, membro da ACLAPTCTC , Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, ao eternizar a trajetória de Isabel Cristina Menezes Degli Esposti nas páginas do livro Prata da Casa.
“Isabel, princesa dos cafezais,
musa guardiã da memorável luta,
deflagrada pelos seus ancestrais,
povo incansável na dura labuta.”
A Guardiã das Tradições de Varre-Sai
Natural de Varre-Sai, RJ, Isabel Cristina carrega em sua essência o título poético que lhe foi conferido com tanta justiça. Professora, historiadora e escritora de fôlego incansável, sua biografia confunde-se com a própria preservação do patrimônio histórico e imaterial da região.
Como bem pontua a poesia de Roberto Vasco, ela é a “mestra de uma história, mulher astuta” que faz vencer o intelecto e resgata as raízes de um povo. Sua vasta produção literária, que passeia por obras marcantes como A Cruz da Ana - Não é conto, é verdade, As Filhas de Maria na Colônia Italiana de Varre-Sai, Arábica - Um conto da terra do café, além de preciosidades em cordel e causos de tropeiros - consolida seu papel de guardiã da memória coletiva.
A Poesia como Monumento ao Tempo
O lirismo do poema ganha contornos ainda mais profundos ao dialogar com a missão de Isabel de combater o esquecimento. Enquanto o tempo corre voraz e impiedoso, a literatura ergue muralhas de afetos e registros:
“Protege as origens, inexorável,
arraigando-as nas páginas da história,
registrando-as na indelével memória.”
Mais do que escrever, Isabel atua como artífice de eventos literários, mentora de novos talentos e defensora intransigente da identidade histórica local. A homenagem prestada por João Roberto Vasco Gonçalves no livro Prata da Casa coroa essa caminhada palpitante, transformando a "musa de Varre-Sai" em personagem viva da grande poesia brasileira.
Os verdadeiros heróis da cultura jamais se apagam: eles florescem, eternamente, nas páginas que ajudaram a escrever.
PRINCESA DOS CAFEZAIS
João Roberto Vasco Gonçalves
Isabel, princesa dos cafezais,
musa guardiã da memorável luta,
deflagrada pelos seus ancestrais,
povo incansável na dura labuta.
Mestra de uma história, mulher astuta,
na luta, não arrefece jamais,
vence o intelecto sobre a força bruta,
resgata os valores dos nobres pais.
Protege as origens, inexorável,
arraigando-as nas páginas da história,
registrando-as na indelével memória.
Tempo voraz, impiedoso e indomável,
efêmero que rápido se esvai,
mas, pródiga é a musa de “varre-sai”.
Roberto Vasco

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