domingo, 10 de março de 2013


TEMPERO VERDE BONJESUENSE
 
Luis Magalhães: o mais antigo vendedor da feira de Bom Jesus

Nascido na Barra do Pirapetinga, Luís Magalhães é o mais antigo vendedor da feira de Bom Jesus do Itabapoana, segundo informou ao O Norte Fluminense. Teve a ideia de fabricar e vender tempero verde há cerca de 15 anos. O sucesso foi imediato e, hoje, é fornecedor para vários estabelecimentos comerciais.

Segundo Magalhães, ele obtém cerca de "R$1.000,00 (mil reais) líquidos, por mês, que é um reforço para minha aposentadoria". Elaborado com produtos obtidos na própria feira, o tempero verde de Magalhães tem especial procura aos sábados, e é como se ele devolvesse à feira o que dela veio.




Temperos de Luis Magalhães conquistaram o público



BOM JARDIM

Praça de Bom Jardim


José Carlos Tardin nasceu em Valão Dantas e, há 45 anos, reside em Bom Jardim, zona rural de Bom Jesus do Itabapoana. Filho de Braz Caradoso e Delvira Tardin, tem como avô paterno o mineiro Antônio Cardoso e como avós maternos Ernesto Tardin e Maria Pontes, ambos oriundos da Serra do Tardin, próximo dali. José Carlos desconhece que seu sobrenome Tardin tenha origem suíça: "nada sei a respeito", diz ele.

José Carlos Tardin: uma vida tranquila em Bom Jardim


Segundo José Carlos, em Bom Jardim "praticamente tudo é pasto, ninguém planta, porque não compensa mais. Há proprietário de 30 alqueires de terra e que não planta nada", lamenta. Casado com Dulcineia de Freitas Tardin, possui 5 filhos: Dulcilane, José Augusto, Ângela, Carlos José e Lucinéia. Os últimos quatro residem com ele. Possui, ainda, dois irmãos: Maria Elza Tardin e Jacy, falecido. Não obstante a situação assinalada, ele diz: "gosto de viver em Bom Jardim, pois vivo uma vida tranquila", finaliza José Carlos.

Sebastião Saboia e o prédio histórico: legado do seu pai



Sebastião Sabóia é nascido e criado em Bom Jardim. Funcionário do SAAE, é filho de Manoel Francisco Sabóia e  Magnólia Sabóia. Casado com dona Penha, possui três filhos: Fábio, 24, Beatriz, 19, e Mateus, 12. Seu pai construiu um prédio, na década de 1930, que é o único que preserva os traços originais, uma vez que todos os demais de Bom Jardim foram demolidos. As toras encaixadas e a parte superior da parede externa feita com estuque dão conotação histórica ao prédio.



Cléber da Silva Aguiar e sua mercearia: procurada por moradores da região


Cléber da Silva Aguiar, por sua vez, é o proprietário de uma bem equipada mercearia em Bom Jardim. Com 33 anos de idade, ele diz que "pessoas da região, como Córrego Seco, Sesmaria, Cachoeira e Serra do Tardin, compram aqui. Comecei vendendo ração para animal, mas a cada mês vou ampliando a oferta de produtos, de acordo com a necessidade dos moradores que totalizam cerca de 800 (oitocentas) na região".

Filho de Élbio Teixeira e Luzia Aguiar, tem como avós paternos Sebastião Doca e Amélia Teixeira. José Bonfim é o bisavô paterno. Os avós maternos são Valter Ludgero e Florisbela Dias, conhecida como dona Vela. Segundo Cléber, seu avô Valter Ludgero foi compadre de Luciano Bastos e seu tio Jorge Dias foi afilhado do mesmo. Cleber possui duas irmãs: Claudinéia e Cleunice. No próximo dia 28 de março ele comemora um ano como microempreendedor e faz planos de desenvolvimento do seu comércio.

Igreja de Bom Jardim

PONTE CEDEU APÓS A PASSAGEM DA REPORTAGEM DE O NORTE FLUMINENSE


Pouco depois da passagem do veículo da reportagem de O Norte Fluminense, a ponte que dá acesso a Bom Jardim cedeu, o que deve prejudicar consideravelmente os moradores da localidade por bastante tempo, e é um alerta ao poder público municipal para que passe a fiscalizar as pontes do município.


Ponte cedeu, repetentinamente: alerta para o poder público municipal



 Notícia de Varre-Sai (RJ)

CHOCOLATES DE DAR ÁGUA NA BOCA





Há 4 (quatro) anos, as jovens Vilaine Oliveira Dutra e Sheyla Rodolphi Alonso resolveram associar-se na tarefa de produzir ovos de páscoa, doces, trufas e pirulitos de chocolate personalizados.



Criaram então a VSChocolates, que passou a receber várias encomendas.





A procura de seus produtos foi tão grande, que estimulou-as a diversificar a produção.
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Hoje, a VS Chocolates oferece também cestas de café da manhã.





Segundo Sheyla, "atualmente, nossos produtos têm sido bastante procurados, inclusive por outros municípios".





Sheyla salientou, ainda, que  "preparamos doces para todos os tipos de festas como aniversários e casamentos. Nossas trufas são feitas com sabores variados e o preço varia conforme o interesse do cliente".






A VS Chocolates está localizada na rua Otávio Moneratto, no. 44, com telefone 22-48433328 e almeja, no futuro, abrir representações em outros municípios.








Vilaine e Sheyla: criatividade e empreendorismo da juventude varre-saiense 





ONDE FICA ESTE PRÉDIO HISTÓRICO?


a) Usina Santa Isabel;

b) Usina Santa Maria;

c) Bom Jardim;

d) Quebrados;

e) Sesmaria











 

terça-feira, 5 de março de 2013


DIA INTERNACIONAL DA MULHER




Do blog www.espacoculturallucianobastos.blogspot.com

Domingo, 3 de março de 2013


D. Amélia Gomes de Azevedo: uma escritora no Monte Himalaia

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, é justo fazer homenagem a uma escritora de nossa região, praticamente desconhecida por muitos. Sobre esse tema já mencionava o Sr. Antonio de Souza Dutra, no jornal A Voz do Povo, de 23/04/1966:
 .
D. Amelia Azevedo

A. Sousa Dutra
Escritora e romancista Campista, injustamente esquecida entre nós, onde residiu por muitos anos, D. Amelia Gomes de Azevedo, filha do fazendeiro Jacintho Antonio de Azevedo e esposa do também fazendeiro João Lucas da Costa, nasceu a 15 de Abril de 1886 na fazenda do Monte Himalaia, distrito de Limeira, 15 º do município de Campos a que pertencia todo o território do nosso e do de Itaperuna.
Fez seus estudos na Côrte, como, então, era chamado o Rio de janeiro, iniciando-os aos 9 anos, como interna em um dos melhores colégios ali existentes.
Para se chegar ao Rio a viagem era feita a cavalo de "Monte Himalaia" até Campos e dali até São João da Barra, onde se tomava um vapor para lá destinado.
Foi assídua colaboradora do "Jornal do Comércio" em 1891 e do "Monitor Campista" em 1892, onde estampou a quase totalidade de seus trabalhos em português.
Escrevendo em francês tomou parte em concursos disputadíssimos da revista "Les Causeries Familières" de Paris, tendo obtido o primeiro prêmio (Medalha de Ouro) no primeiro e no seguinte o segundo, causando grande admiração em um dos redatores o ter recebido de "um paiz tão longínquo páginas escritas em francês tão correto".
Em 1894 publicou seu livro "Rumorejos do Himalaia" no qual enfeixou seus principais trabalhos em português e em francêz, e em 1896 seu romance "Mercedes", cuja ação se desenrola em uma praia campista que ela descreve com muita arte e minudência.
A ilustre escritora que, como se vê, muito contribuiu para a difusão de nossa literatura no maior centro cultural do mundo que era, então, Paris, faleceu em 24 de setembro de 1929 aos 63 anos na fazenda de "São João", vizinha do "Monte Himalaia", então propriedade de seu esposo João Lucas da Costa.
De seu talento disse Silvio Fontoura, que não foi pródigo em elogios:
"D. Amelia é um dos mais radiosos talentos femininos no Brasil, o que há manifestado exuberantemente no "Mercedes", trabalho de um estilo leve e harmonioso em que transparece também sua alma feita de lírios olorando as outras almas submissas dos escravisados de outrora".
  

Acervo: Espaço Cultural Luciano Bastos
Dedicatória de D. Amelia Gomes de Azevedo a seu pai,no livro "Rumorejos do Himalaia"
 
  "Rumorejos do Himalaia" faz parte do acervo do Espaço Cultural Luciano Bastos. Neste livro estão reunidos escritos publicados pela autora no Monitor Campista e na Gazeta Itaperunense, além dos premiados textos escritos em francês para a Revista Les Causeries Familières.
  A apresentação do livro foi realizada por Affonso Celso, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em que aponta sobre a autora:
"basta dizer-vos que, solteira, em plena mocidade, privada de seu pae, administra com admiravel tino e energia um importantissimo estabelecimento agricola que d'elle herdou; conhece tão superiormente, como o proprio, varios idiomas estrangeiros; serve-se da palheta com verdadeira perfeição artística, escreve deliciosas composições, em que a correcção da fórma só é ultrapassada pela elevação do pensamento..."
 
  Sobre temas universais (guerra, exílio, as navegações), a autora construiu personagens masculinos que apontam para o reconhecimento da dignidade do universo familiar. À mulher reivindica-se sua importância histórica, como no escrito de 12 de outubro de 1892, em que não por acaso, ao final de "Christovão Colombo", lemos:
   
   Chistovão Colombo, o heróe por tanto tempo desconhecido e hoje acclamado, venceu, porque o coração generoso e magnanimo de uma mulher não repudiou suas aspirações, e, confiante como elle, estendeu-lhe mão protetora, murmurando-lhe também: - "Vai, confia!"
      Essa mulher chamou-se Isabel 
   O que impressiona em seus escritos é a maturidade com que abraçou o estilo romântico, tão em voga em seu tempo. 
 
  É nos escritos em francês, participando de concursos literários, que a especificidade regional e brasileira desponta, com as construções dignas de nosso romantismo: a natureza é exaltada em sua grandiosidade e até um velho índio sobrevivente vem contar sua história de fuga e extermínio. Não por acaso encontramos também Gonçalves Dias cantando o sabiá de nossas terras.
   Para os que buscam na literatura um pouco de história e crônica social, D. Amélia nos brinda com "Três dias no Himalaia". Escrito em francês em 1893, recebeu o primeiro prêmio no concurso literário Causeries Familières em Paris.
  Abaixo segue um trecho em transcrição livre, onde a personagem  descreve uma visita à fazenda produtora de café no Monte Himalaia. Após passarem pelas instalações onde estão as máquinas para o trabalho industrial onde se prepara o café para venda, visitam as casas dos colonos:
   Essas casas são bastante grandes, divididas em quatro ou seis partes, de acordo com o comprimento; e cada família, de acordo com o número de pessoas que possua, ocupa de 4 a 6 quartos, vivendo independente de seus vizinhos. Esses colonos são portugueses, e como era domingo e estávamos sendo esperados, suas casas estavam adequadamente arrumadas. Na sala, onde em geral são recebidas as visitas, se encontra sobre uma mesa encostada à parede a imagem de uma santa de sua devoção, cercada de vários objetos que as crianças gostam de colocar para enfeitar a mesa, tendo ao lado duas longas folhas de palmito, palmeira natural da terra.
   [...]
  Nas maiorias das fazendas, esse é o sistema adotado pelos proprietários rurais: as famílias que trabalham e que, ao fim do ano, dão ao proprietário a metade do que conseguem com a venda do café. A colonização europeia está em todo lugar; ela substituiu a escravidão subitamente interrompida por um ato do governo. Ainda que possa parecer que os proprietários rurais possam estar descontentes com a mudança, isso não ocorre, pois eles têm mais tranquilidade e liberdade que no tempo da escravidão, quando suas vidas estavam geralmente nas mãos dos escravos (...).

sexta-feira, 1 de março de 2013

O ANOITECER EM AIRITUBA







O anoitecer em Airituba, distrito de São José do Calçado (ES)

sábado, 23 de fevereiro de 2013


Da Série Entrevistas de O Norte Fluminense

A ETERNA SONHADORA 




Maria Gislane Santos Teixeira é bonjesuense nascida na Fazenda Cristalina, no dia 10/09/1945. Seus pais são José Gomes dos Santos Filho, conhecido como "Maritaca" e Maria da Glória Baptista dos Santos, a dona Glorinha.

Os avós paternos são José Gomes dos Santos, nascido na Fazenda Boa Esperança, e Clementina Cristina de Moraes Santos, oriunda do Quebrado. Tem, como avós maternos, Alberto Baptista de Araújo, que veio da terra capixaba de Santa Fé, o que fez com que passasse a ser conhecido como "homem de boa-fé", e Maria Angélica Santana Sá de Araújo, oriunda de Diamantina (MG).


Casamento civil de dona Glorinha e José Maritaca em 1935


Maria Gislane se recorda dos bisavós do lado paterno: Quinca Dutra (Joaquim Dutra de Moraes) e Maria Tereza que, segundo informações, seria portuguesa. Os bisavós do lado materno são João Ferreira de Sá,fazendeiro de café, em Diamantina (MG), e Maria Angélica Santos Sá de Araújo, a Inhazinha.

Maria Gislane se emociona quando lembra da história em que Inhazinha procurava esconder do pai escravos estimados que estavam para ser vendidos. "Minha avó contava que a Princesa Isabel esteve na Fazenda em Diamantina para libertar os escravos. Em 1888, meus bisavós mudaram-se de Diamantina para a Fazenda Santo Antonio e, em seguida, para a Fazenda Laranjal, no Espírito Santo", relata.


Fazenda Cristalina, em 1960


Prossegue Maria Gislane: "Meu pai foi subdelegado na Fazenda Cristalina, e foi um dos melhores atiradores do Tiro de Guerra. Na Fazenda Cristalina havia gerador de luz própria, caixa d'água, moinho de fubá, açude, entre outras coisas. Lá, se plantava de tudo e só se comprava salame, bacalhau, açúcar refinado e farinha de trigo. O resto era tudo produzido lá. Recordo-me que os produtores costumavam realizar troca de mercadorias. Davi Lobão, por exemplo, produzia açúcar batido e melado e isso era trocada por queijo. Hoje, com o falecimento dos troncos, as novas gerações infelizmente não tiveram condições de dar continuidade aos antigos costumes, porque os tempos mudaram. Sou muito saudosista".

Dona Glorinha no fogão a lenha da Fazenda Cristalina, em 1970


Maria Gislane possui três irmãos: Maria Clementina, José Alberto (Zezinho) e José Joaquim. Na família, são 9 netos e 7 bisnetos.

Maria Gislane guarda consigo uma "banquinha", construída há 59 anos, e que ganhou do seu padrinho Zezé, quando tinha 4 anos de idade. "Recordo-me que, em meu aniversário, ganhei uma galinha nanica e esta banquinha, que foi construída por meu padrinho. Eu usava a banquinha para brincar e emprestava para minha avó colocar os pés, quando ela teve a perna quebrada. Hoje, minha neta, Maria Luiza, de 7 anos, filha de José Luis com Miriam Saraiva, brinca com esta banquinha".

Outro fato, da época de infância, foi lembrado por Maria Gislane,  com emoção: "dentre as vacas de leite da fazenda, havia uma em que a teta costumava ficar pingando, na hora da ordenha. Eu costumava levar uma canequinha e colocava em baixo da teta, até a canequinha ficar cheia de leite".

MARITACA

Seu pai passou a ser chamado de "Maritaca", porque "falava muito durante as partida de futebol, dando palpite em tudo", esclarece Maria Gislane. Além disso, Maritaca tinha uma paixão pela política, sendo vereador por diversas vezes. Quanto a isso, ela lembra  que, "certa vez, meu pai utilizou o seguinte mote, na campanha: 'Prometa aos outros e vote em mim'. Por causa disso, a Revista Veja chegou a publicar uma matéria bem humorada sobre o fato, com o título 'amigo da onça' ".

José Maritaca: paixão pela política


A respeito de seus pais, Maria Gislane se recorda que ambos se dedicavam à comunidade: "Minha mãe, conhecida como dona Glorinha, dava banhos nos recém-nascidos e cuidava dos seus umbigos. O vereador Clerinho da Soledade, por exemplo, foi um dos últimos a receberem os cuidados dela. Por outro lado, meu pai se dedicava a acudir as pessoas que necessitavam, inclusive à noite, dando injeções, se a circunstância exigisse. Ele também vacinava crianças, sendo um autêntico agente comunitário voluntário. Durante a semana santa ele abria os dois açudes onde criava peixes e distribuía para os familiares e para a vizinhança. Leite também era distribuído para os empregados e vizinhos".

Prossegue Maria Gislane: "Meu pai costumava viajar, na década de 1950, com o dr. Harry Diniz e Chicão para os municípios de Cordeiro e Barra do Piraí, no estado do Rio de Janeiro, para participarem das festas de pecuária e adquirirem vacas holandesas. Traziam também mudas de plantas. Recordo-me que Zezé Borges costumava ir à nossa propriedade e encher sua caminhonete de frutas, que eram distribuídas também para os colonos e vizinhos".

Outro fato merece recordação: "Lembro de um fato ocorrido durante a Festa de Agosto. O então governador Roberto Silveira colocou holofotes na Praça Governador Portela, que ficavam iluminando o céu. Minha mãe, da Fazenda Cristalina, via aquela luminosidade no céu e, aflita com a ausência de meu pai, chegou a imaginar que o mundo estava acabando".


Christiani, Thiago, Luiz Alberto, Maritaca, dona Glorinha, Christina, José Manoel, Geane, Roberta, José Luiz e Josiane, na festa de 15 anos de Christina, em 1991


Maria Gislane casou-se no dia 12/07/1969, com Humberto Gandres Teixeira, filho de Luiz da Silva Teixeira, nascido em Rosal, e Celina Gandres Teixeira, oriunda de Valença (RJ). Mudou-se, então, da Fazenda Cristalina para a casa em Bom Jesus, onde reside até hoje, na Travessa Senador Pereira Pinto.

Maria Gislane e Humberto, em fotos de 1965


Como veio para Bom Jesus, depois de viver na zona rural, só a partir daí passou a estudar. Concluiu o 2º. grau e, posteriormente, trabalhou na Clínica de Repouso, na área da enfermagem. Lecionou corte e costura no Colégio Estadual Padre Mello, na OAB, na Fundação Leão XIII e no SENAI.

Maria Gislane faz questão de registrar que o sogro, Luizinho Teixeira, inaugurou o antigo pavilhão do Hospital. Ele ocupava a presidência do Centro Popular Pró-Melhoramentos. "Ele foi um homem empreendedor, sem ser político. Ajudou na Casa das Meninas, no Instituto de Menores, no Colégio Antonio Honório e em outras entidades. Recordo-me das campanhas que  fazia para a rainha da Festa de Agosto, quando se arrecadava dinheiro para o Hospital".

Prossegue ela: " No Parque de Exposições havia também concurso para a escolha do maior repolho. Foram tempos muito bonitos. Embora morássemos na zona rural, procurávamos  nos manter sempre informados dos fatos através da rádio, da revista O Cruzeiro, e dos jornais O Norte Fluminense e A Voz do Povo. Aliás, acho que um dos quadros do jornal O Norte Fluminense, com charges das personagens dona Miquelina e seu Pancrácio, que costumavam fazer críticas, devia voltar a ser publicado".

Maria Gislane faz questão de registrar, ainda, que a Gráfica Gutenberg era o equivalente aos atuais Shoping Centers, "onde tinha tudo o que as mulheres desejavam".

AFILHADOS E COMPADRES

Conta Gislane que "meus pais tiveram muitos afilhados de batistmo, crisma e casamento. Eu, quase sempre, acabava indo às solenidades como dama de honra. Além disso, era grande o número de compadres que moravam em nossa propriedade e na vizinhança. Lembro-me dos seguintes: Flópio, Adolfo, Dôca, Zé Pequeno, Manoel, Daniel, Fióte, Tião Brum, Artur, Davi Lobão, Pedro, Tãozinho, Custódio Pimenta, José Silveira, João Malha, Juca Brum, Messias, João Baptista e José Baptista".

AS AVÓS PITITA E INHAZINHA

Vovó Pitita


As avós Pitita e Inhazinha tiveram relevante influência na vida de Maria Gislane. "Aprendi muito com elas: culinária, costura e crochê. Quando vovó Inhazinha tinha 84 anos de idade, ela me presenteou com sua tesourinha, que dizia ter pertencido a sua avó. Ela me presentou, ainda, com um dedal, que transformei em anel.  Foi um período muito gratificante. Valeu a pena ter vivido na roça", emociona-se Maria Gislane.

 
 Vovó Inhainha presenteou Maria Gislane com sua tesourinha, quando tinha 84 anos...


 ...e também com seu dedal, de "prata oriental", que foi transformado em anel



50 anos de casamento de dona Glorinha e José Maritaca, em 03/03/1985, no Abrigo dos Velhos



A neta Maria Luiza, filha de José Luiz e Mirian Saraiva


Maria Gislane e a "banquinha" que ganhou de presente, quando tinha 4 anos de idade, hoje, utilizada por sua neta Maria Luiza: o passado presente no futuro


Maria Gislane tem um sonho:"andar de avião, antes de morrer". Outro sonho, é "ver minha família feliz e realizada, o que considero mais importante". Ao final, deixa para os jovens uma mensagem: "Procurem a fé, o respeito, a responsabilidade e o amor ao próximo. Tudo seria diferente se só fizessemos aos outros o que gostaríamos que fizessem conosco".