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| Cônsul Giuseppe Magno, Dr. Silvestre José Gorini e Dalila de Assis Moraes, Secretária de Educação e Cultura, na 1ª Festa das Famílias Italianas em 1997 (acervo de Isabel Menezes) |
No ano de 1997, quando as montanhas de Varre-Sai ainda guardavam no silêncio o eco dos antigos imigrantes, nasceu, sob as luzes do prefeito Dr. Silvestre José Gorini, a primeira Festa das Famílias Italianas, celebração que não surgiu apenas como evento, mas como memória viva de um povo que aprendeu a transformar saudade em esperança.
Muito antes das bandeiras coloridas e das músicas que dançavam pelas ruas, cerca de cem famílias italianas atravessaram o oceano no fim do século XIX. Trouxeram pouco nas malas, mas carregavam no peito a coragem dos que plantam futuro em terra desconhecida. Com mãos calejadas e sonhos teimosos, cultivaram o café, ergueram famílias, semearam cultura e fizeram florescer uma identidade que hoje vive em cada canto da cidade.
Assim nasceu a Capital Estadual do Café, alimentada pela força italiana, pela disciplina do trabalho, pela fé silenciosa dos que acordavam antes do sol. E, como se a terra também aprendesse a guardar lembranças, dela brotou o vinho de jabuticaba, herança afetiva que mistura o sabor brasileiro à alma italiana.
No meio dessas histórias, sempre existe alguém destinado a impedir que o tempo apague os detalhes. Em 1997, a jovem Isabel Menezes já revelava o olhar sensível de quem compreende o valor da memória. Sua câmera tornou-se ponte entre passado e eternidade. Registrou sorrisos, símbolos e instantes que hoje pertencem à história de Varre-Sai.
Entre suas fotografias, permaneceu o encontro do cônsul Giuseppe Magno com dr. Silvestre e Dalila de Assis Moraes, guardiões daquele momento inaugural. Em outra imagem, Isabel eternizou também seu próprio encontro com o cônsul, como se, sem perceber, ela mesma já passasse a fazer parte da história que registrava.
Havia ainda o nicho dedicado à família Gorini, símbolo das raízes familiares que sustentam a memória de um povo. A Lira Santa Cecília ecoava melodias pelas ruas, enquanto um grupos de dança italiana transformava tradição em movimento, fazendo girar no ar a herança de gerações.
Recentemente, em uma entrevista concedida à TV Alcance de Bom Jesus, Isabel reencontrou dr. Silvestre em sua residência. Não foi apenas uma conversa. Foi o reencontro de tempos, afetos e lembranças que continuavam vivos apesar dos anos.
Porque a Festa Italiana, na verdade, chegou a Varre-Sai muito antes de 1997. Chegou no instante em que os primeiros italianos pisaram naquela terra sem imaginar que estavam fundando mais do que lavouras e famílias: estavam criando uma identidade.
E ela permanece.
Permanece em cada esquina.
Em cada casa.
No perfume do café recém-passado.
No vinho de jabuticaba compartilhado entre amigos.
Na música, na dança, na fé e no trabalho.
Permanece viva na alma do povo de Varre-Sai.
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Cônsul Giuseppe Magno e Isabel Menezes
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Que belo texto! Vamos divulgando a cultura de Varre-Sai.
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