Em Bom Jesus do Itabapoana houve um tempo em que mãos anônimas plantaram pequenas mudas de oiti ao longo das calçadas, talvez sem imaginar a eternidade silenciosa que estavam semeando. Eram frágeis hastes verdes diante do sol forte, quase invisíveis na pressa dos dias. Hoje, porém, essas árvores erguem copas largas sobre as ruas, oferecendo sombra, frescor e memória.
Os oitis, árvores nativas do Brasil, cresceram junto com a cidade. Viram crianças correndo para a escola, namoros nas esquinas, procissões, bicicletas antigas, tardes de verão e o lento caminhar dos idosos que ainda se lembram de quando aquelas árvores cabiam na palma da mão. Cada tronco guarda uma história que não foi escrita em livros, mas permanece viva na paisagem cotidiana.
Ao passarmos por certas ruas, reconhecemos não apenas árvores, mas testemunhas do tempo. Suas sombras desenham o passado sobre o chão quente das calçadas, como se a cidade conversasse consigo mesma através das folhas que balançam ao vento.
O oiti tornou-se mais do que árvore: virou referência afetiva, abrigo de memórias e sinal de permanência. Em cada copa que se desponta, existe um elo invisível entre quem plantou ontem e quem caminha hoje. E talvez seja essa a mais bela vocação das árvores antigas: ensinar que o tempo também floresce.

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