quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A MAGIA DA SERRA DOS TARDIN



O histórico Solar dos Tardin foi reformado em 1885

No dia 22 de dezembro passado, mais de nove anos depois de termos estado na Serra dos Tardin realizando a reportagem que se encontra postada em nosso blog, em http://onortefluminense.blogspot.com.br/2012/10/cemiterio-de-escravos-na-serra-do.html
retornamos a esta região histórica, que foi habitada pelos índios puris e por escravos.

O escritor Delton de Mattos, nascido na Serra dos Tardin, referiu-se à "magia e os fluidos da montanha"

Terra de Delton de Mattos, um dos gênios da literatura bonjesuense, doutor em letras, ex-professor da USP, da Universidade de Heildeberg (Alemanha) e da Universidade de Brasília, a Serra dos Tardin foi tema constante de suas crônicas.

Beleza da Serra dos Tardin nada deve às belezas de outras partes do mundo




Angicos, com suas flores amarelas, são uma das marcas da Serra dos Tardin


A beleza que preenche a alma contrasta, contudo, com o vazio populacional da região, com o abandono da estrada, do cemitério histórico construído pelos escravos e da capela.

 Traslado para a Serra do Tardin só pode ser feito com veículo adequado ou a cavalo





Moradores pavimentaram um trecho da estrada

Uma imagem que lembra o início do século XX: Elison (37), o carreiro - com seu garruchão - Fábio (34), Diogo (17), e Danilo (30), e o terno de boi, meio utilizado no alto da Serra dos Tardin


Para chegar à Serra do Tardin, o atual proprietário do Solar dos Tardin, Luís Boniolo, utiliza seu cavalo



Luís Boniolo no porão do casarão

Luís Boniolo herdou a propriedade de seus pais: Alberto Boniolo e Maria Gomes Boniolo.

Alberto Boniolo


Sobre o casarão, Boniolo relata uma das histórias contadas por Lourival Azevedo, conhecido como Lourinho, antigo residente do casarão: " Segundo Lourinho, a bisavó dele, Dona Jesuína morava aqui e criava uma moça morena muito bonita. Certo dia, ela estava lavando roupas com uma tábua. Um homem que trabalhava provando café tentou estuprá-la. A moça gritou e o homem matou-a desferindo um golpe de tábua em sua cabeça, fugindo em seguida".

Pedras do moinho de fubá mostradas por Luís Boniolo e Paulo César Dutra Domingues, que nasceu na região

Outra história contada por Boniolo se refere a um de seus filhos ilustres: "Delton de Mattos contava que na época em que ele era jovem, e havia  festa no salão do Solar, casais costumavam namorar ficando na 1ª janela à esquerda."

Neste cômodo funcionava o Salão de Festas, onde casais costumavam namorar na janela à esquerda


Um dos quartos do Solar

Escada de entrada do casarão

Escada construída por escravos

Árvore centenária




Luís Boniolo, que herdou o Solar há cerca de 13 anos, conta que teve de realizar uma reforma no prédio para impedir seu desabamento: "quando percebi que uma parede ameaçava ruir, fiz a obra necessária para preservar o Solar, e pretendo mantê-lo enquanto eu viver".

Luís Boniolo no Solar dos Tardin: "preservarei o casarão enquanto eu viver"

Próximo ao casarão, se encontra o Cemitério dos Escravos, que se encontra abandonado. Cercado por um muro de pedras, estas estão se deslocando, por falta de preservação. Outras sepulturas que foram identificadas há cerca de nove anos, pelo O Norte Fluminense, não podem mais ser distinguidas.



Cemitério construído por escravos está abandonado


Muro de pedras que cerca o cemitério, sem preservação, está sendo desfeito pelo tempo
Os pais de Delton de Mattos, Mário Nunes da Silva ( n. 20/12/1900, m. 13/11/1994) - vereador empossado no dia 04/10/1947 - e esposa Pautilha Nunes Mattos (n. 29/07/1905, m.16/11/1988), estão sepultados no Cemitério da Serra dos Tardin

Lápide registra sepultamento em março de 1895: Francisca Ângel Luísa, nascida em 21/02/1851 e falecida em 16/03/1895. Tributo de seu marido Afonso Ponce de Leão


A capela também foi abandonada





Delton de Mattos construiu uma casa próxima à antiga capela



As três casas construídas por Delton de Mattos na Serra dos Tardin estão sendo preservadas pelo atual proprietário



O Norte Fluminense posta, a seguir, texto memorável de Delton de Mattos sobre o Solar dos Tardin, escrito em 1991.





                                O SOLAR DOS TARDIN

                                        
                                          Delton de Mattos




     Há pouco tempo voltei a visitar o antigo Solar dos Tardin, para reviver queridas lembranças da juventude, ouvir novamente o eco da pedreira do outro lado do vale, e admirar mais uma vez aquele belo e sólido casarão de fazenda, que o rigor do tempo não consegue destruir. Fotografei com emoção todos os ângulos da sua singela e sólida arquitetura colonial.

    Mas o bom mesmo teria sido que um pintor de gênio o retratasse, com os variados matizes das tintas e das cores, e reproduzisse os ritmos daquelas formas penetradas de silêncio, revolvendo o teor de velhas linguagens, adivinhando os anseios e alegrias das gerações que ali viveram, e perscrutando a riqueza de amor e vida que impregna as suas vetustas paredes. Pressentimos segredos e mistérios nos seus quartos e corredores abandonados, nas suas escadas e assoalhos de rígidas peças de madeira de lei.

    Quem sabe se nas definições de suas imagens vacilantes, e nas sombras expressionistas dessas figuras fugidias, não seria possível vislumbrar os contornos de criaturas apaixonadas, em colóquios sussurrantes nas velhas janelas, balbuciando confidências para a solidão da paisagem, Ali outrora retumbaram anseios e emoções, ecoaram cânticos de sabor antigo ao som de flautas e violas, dançaram os pares enamorados ao compasso das sanfonas. Ali todas as pedras foram colocadas pelos braços dos escravos. E não há formas, nem as mais simples, até os engates dos blocos de pedra e das vigas de madeira, que não sejam o resultado da ferrenha vontade humana de evoluir e espalhar a vida.

   Estão ainda intactas as antigas estruturas de argamassa, ligadas pelo legítimo óleo de baleia, mais forte do que o cimento, e transportado em lombo de burro do Porto de Limeira para o alto da Serra. Por isso, o indestrutível Solar, edificado pela experiência europeia de François Tardin, resiste altaneiro o transcorrer dos anos, enquanto todas as construções das cercanias, de datas mais recentes, de há muito já desapareceram. Mantém-se firme como um palácio de sonhos, no meio da paisagem desolada e da monotonia da pastagem.

   Que fim levou a escolinha do Chico Pereira, onde estudei as primeiras letras, a pequena venda perto do bambuzal, em que as crianças compravam balas e pão doce feitos em casa? Que fim levou o campo de futebol das animações de domingo, a ciranda das meninas nas noites de São João? De tudo isto não resta hoje um sinal, sem falar da máquina de pilar café, que acordava os moradores da região nas madrugadas, com os seus apitos estridentes ecoando pelas encostas, e que de há muito fora devorada por um incêndio criminoso.

   No passado do Solar dos Tardin, há recordações e lendas de fatos reais, como a de fantasmas de escravos que gemiam pelas cumeeiras, nas noites de lua, ou a da jovem criada por Dona Jesuína, barbaramente assassinada pelo mal encarado maquinista Antônio Maurício, ao tentar possuí-la na beira do valão.

   Até agora ninguém pôde me informar como François Tardin chegou à Serra, que fora inicialmente colonizada pelo meu bisavô Elias Nunes, mas que acabou mesmo recebendo o sobrenome do famoso suíço. Mas é certo que ele conheceu a jovem viúva Jesuína, lá pelas bandas de Carabuçú, filha do pioneiro Francisco Furtado Costa, um daqueles onze posseiros da primitiva Bom Jesus, então chamada Monte Alegre, que se cotizaram para legalizar as terras da Paróquia.

   Segundo os levantamentos do Padre Mello, sempre precisos e exatos, não há dúvida de que Francisco Furtado Costa tornou-se muito cedo proprietário na Serra do Tardin, e não o seu irmão José Rodrigues Costa, conforme reza uma equivocada tradição, pois este de fato ficou numa gleba da Soledade.

   A jovem Jesuína casara-se em primeiras núpcias com João Pereira, com quem teve quatro filhos: Francisco, (Chico) mestre-escola, e padrinho do meu pai Mário Nunes; João, (Dango), que foi dono das terras hoje pertencentes aos herdeiros do Pedrinho Teixeira; Durval, sitiante em Santo Antônio dos Milagres; e Maria, a conhecida e respeitada "Dona Inhanhá". Jesuína era organizada, dinâmica, corajosa, notável dona de casa, e ainda por cima bonita e bem de vida. É fácil compreender que tenha atraído a atenção do inteligente suíço François.

   Por coincidência, ele também era viúvo, e tinha um filho casadouro chamado João. O resultado foi que o velho François (Francisco) veio a casar-se com a viúva Jesuína, e após algum tempo o moço João, com a filha dela, a prendada e muito bonita "Inhanhá". Consta que, quando os jovens ficaram noivos, os pais mandaram João de volta a Friburgo, de onde proviera, e esperar ali, em casa de parentes, até as vésperas do matrimônio, para que os nubentes não coabitassem o mesmo teto enquanto solteiros.

   Desse duplo casamento, tão raro e até romanesco, iriam surgir duas proles dos Tardin. A primeira, constituída pelos filhos de François e Jesuína, a saber: Abílio (pai de Jesuína, filha, Muleta, Olga, Lídia, José, Mario, Zilda, Zuleica, Francisco e Maria José); Leonides, que chegou a ser um respeitado comprador de café, e que, quando o criminoso Antônio Mauricio pôs fogo na máquina, queimando centenas de sacas da rubiácia, perdeu tudo o que tinha, mas depois fez questão de honrar todos os seus compromissos de compra; Ana, a "Sinhana"; e o caçula Alfredo, último que deixou a Serra do Tardin, mudando-se para a cidade.

   Quanto à outra prole, resultante do casamento dos jovens João e "Inhanhá", contava doze irmãos: Zoga, Zico, José, Alcira, Eufrásia, Maria, Geraldina, Otília, Sebastião, João, Ana e Filadelfo. Em princípio, todos "deram certo". Seria demasiado extenso discorrer aqui sobre o destino de cada um deles.

  Entretanto, gostaria de dizer algumas palavras sobre a descendente Otília. Ela se casou na serra do Tardin com o alemão Segismundo Fassbender, que ali chegou ainda na juventude, depois de muitas aventuras em diversas andanças, e apaixonou-se ao mesmo tempo, pelas lindas montanhas e pela bela adolescente de quinze anos. Era ele um trabalhador inteligente e pertinaz, marceneiro de primeira ordem, e provinha das românticas margens do Reno. Nessa terceira família, reuniram-se três vertentes psicológicas: a perspicácia mineira herdada de Dona Jesuína, a fleugma segura dos suíços Tardin e o gênio curioso e perseverante dos alemães Fassbender.

   Segismundo e Otília tiveram os filhos João, Astolfo, Edmundo, que viria a ser vice-prefeito do então Distrito de Bom Jesus, Sidney, Ana, Hylda, esposa de Napoleão Teixeira e mãe do também escritor e professor universitário João Regis, Maria (Mariazinha), casada com o brilhante advogado e professor Deusdedit Tinoco de Rezende, e que era muito apegada à Serra do Tardin, Nair (Nairzinha), segunda esposa do saudoso médico e deputado César Ferolla e Otília (Otilinha), casada com o poeta e escritor Josival Barreto.

   A melhor fonte para estudar os Fassbender são os escritos de Napoleão Teixeira, publicados na imprensa local em 1973. Entretanto, não sabemos muito a respeito dos primeiros anos deles na Serra do Tardin, em cuja localidade denominada "Fogão" foram nascidos e criados os filhos mais velhos de Segismundo, que ali aprenderam a ler e escrever, na escolinha da minha tia Carmélia (esposa de Pedro Nunes), no início sentados sobre sacas de café, em lugar de bancos e cadeiras. Tia Carmélia foi uma admirável mestra: de -primeiras letras. Graças à sua inata eficiência pedagógica. Era muito respeitada desde que chegou ao "Fogão" recém-casada, vindo de Cantagalo. Era capaz de solucionar com facilidade os casos mais complexos da aprendizagem.

   Quando Segismundo resolveu sair da roça, não só para tomar conta de uma máquina de pilar café em Bom Jesus, mas principalmente para dar aos filhos melhores condições de ensino, deixou Otília e as crianças por algum tempo na fazenda do meu avô Elias Nunes. Segundo ainda lembra com saudade o meu pai, as crianças se divertiram a valer, tomando banho no valão, chupando laranjas e mexericas tiradas diretamente das árvores, brincando de esconde-esconde nos montes de palha de feijão, assando abóbora com melado na brasa, e cantando canções de roda no terreiro.

   Tinha eu dez anos, e ia a cavalo à escolinha da Sebastiana Garcia (Ziza), que ficava na Cachoeira, quando meu pai me mandou representá-lo num banquete na cidade em homenagem a Edmundo Fassbender, pela sua nomeação para o cargo de vice-prefeito. Corria o ano de 1936. Lembro-me do meu embaraço naquela confraternização, em que passou de mão em mão uma sobremesa "enjeitada", com uma pequena caricatura feita por Romeu Couto. Eu era um menino magro e mal vestido da roça, a única criança solenemente sentada entre os adultos notáveis da cidade, a ouvir longos e cansativos discursos, dos quais mal entendia umas poucas palavras, e mesmo assim fiquei sabendo que se tratava de um homenageado ilustre e muito querido.

   Mas desde aquela noite, em que voltei para casa debaixo de chuva, montado no lerdo burro "Douradinho", e depois das explicações de minha mãe Pautilha a respeito de seus amigos Fassbender e Tardin, passei a admirá-los com entusiasmos já com uma espécie de deslumbramento intuitivo diante de tudo o que é autêntico e de boa cepa. 


NOTA - Depois de publicado este artigo, recebi excelentes subsídios sobre as origens dos Tardin, enviados por Heloísa Tardin, filha da saudosa Zuleica, e que é doutorada nos Estado Unidos. Recebi também da "Otilinha" cópia dos artigos de Napoleão Teixeira a respeito de Segismundo Fassbender. Agradeço a ambas a gentileza.
(1991)



9 comentários:

  1. Obrigado pelo envio da notícia sobre a Serra do Tardin
    A conheci de ponta a ponta, andando a cavalo, quando era fiscal do Banco do Brasil aí em Bom Jesus.
    Grandes recordações nos trouxe, principalmente de Delton de Matos, notável colega e bom amigo que tivemos nessa região.
    Ele, quando da gestão do Paulo Portugal na Câmara Federal, foi um dos baluartes na missão desse grande bom-jesuense aqui no DF.
    Com sua notável inteligência e conhecedor das mumunhas da
    Câmara, foi um dos mestres de nosso deputado.
    Também me fez recordar do Filadelfo, que foi um dos principais feirantes de nossas Bom Jesus de 50 anos atrás. Sempre levava produtos excelentes daquela Serra, da lavra dele e de vizinhos.
    Pelas fotos enviadas, vejo que a ideia antiga da família Tardin, de florestar toda a área, ainda não começou. É algo que precisas ser feita naquela região. Assim serão protegidas as nascentes (há muitas na serra) e o futuro dessa região.
    Bacana a família Boniolo estar preservando o casarão. É uma das obras históricas da região, idem o cemitério dos escravos.
    Bom Jesus é diferente, sempre tem histórias para contar.
    E a luta de vocês mais meritória ainda, visto que preservam estas lembranças, nossa cultura, e toda história da região.
    Bom Natal a todos, parabéns pelo envio.
    Foi emocionante, fiquei mesmo sensibilizado.
    Abração
    Cleber Coimbra e Família (Distrito Federal) (por e-mail)

    ResponderExcluir
  2. Estou emocionada com essas memórias, pois François Tardin e Jesuína foram os pais do meu avô José Tardin, minha mãe Maria Ilma foi criada nessa serra e sempre fala da infância maravilhosa que teve aí. Hoje ela está com 83 anos e reside em Colatina (ES), assim como seu irmão Paulo Cerqueira Tardin. Obrigada!

    ResponderExcluir
  3. Que reportagem maravilhosa!
    Conheci a Serra em 2013. Meu pai nasceu no Solar e cresceu na Serra. Foi uma experiência incrível visitar os locais onde meus pais cresceram. Fiz umas tomadas e queria fazer um videozinho, mas até hoje não coloquei para frente. Mas as fotos estão no Google+:
    https://goo.gl/photos/RMoDj4hF7y2vHvrF8
    Infelizmente não encontramos o atual dono, e o tom de abandono da região é melancólico, onde outrora teve uma floresta destruída para dar lugar a plantação de café. Assim como a Floresta da Tijuca, a Serra dos Tardin deveria ser reflorestada. Só assim a água, que havia em abundância na infância do meu pai, voltaria e, quem sabe, os moradores também. Gostaria muito de ter uma propriedade por lá. São minhas origens.

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. Minha família materna toda nasceu na Serra do Tardin e minha vó ainda mora na região, bem como meus tios e minha mão frequentam semanalmente. A reportagem mostra uma pavimentação realizada na estrada pelos moradores - minha família teve que realizar essa obra, senão, não conseguiriam mais chegar em suas casas. A Administração pública municipal, simplesmente, abandonou a localidade, não cuida da estrada, do cemitério histórico, nem de nenhum dos morados da região. Não sei bem o motivo, se acham que não arrecada votos, pois a população em geral não vê a obra ou se é intencional para que alguns moradores desistam da localidade e vendam a preço de banana, mas o fato é que foi abandonado e o que ainda resiste, é graças aos moradores que amam sua terra e suas raízes. Independentemente de voto (o que certamente, não falta em minha família, pois só a minha vó teve 13 filhos) os moradores dessa região histórica merece que seus direitos sejam cumpridos, principalmente o de ir e vir livremente em todo o território nacional, isso mesmo, em todo o território, e não apenas aonde os "políticos" acham que teve ser devidamente pavimentado. O Brasil deve preservar sua história e respeitar seu povo, o que não tem acontecido, tanto no âmbito federal, estadual ou até mesmo em um pequeno município Fluminense.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu nasci e cresci nessa região, vejo a emoção das pessoas com a reportagem e também me emociono, pois é um lugar que amo, que tem cheiro de casa, de aconchego, de acolhida, mas não posso deixar de relatar a minha indignação com o abandono e o descaso com a localidade, sua história e seus moradores. No dia 15/12 o meu irmão faleceu e foi enterrado no cemitério do Angico, o sitado na reportagem, além da tristeza da perda de um ente querido, ainda tivemos que nos virar para transportar o corpo na "falta de estradas, no esburacado que chamam de estrada" uma vergonha. Cidadãos quites com seus deveres e que não veem o minimo de retorno, se querem continuar tendo acesso as suas moradias precisam fazer eles mesmos. Isso tem nome: falta de respeito. Fico muito triste de ver um lugar como o Solar, que eu conheço carinhosamente como fazenda do tio Cote, um lugar que conta parte da história da região, em total abandono.

      Excluir
  6. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  7. Legal ver notícias deste lugar onde estive, por muitas vezes, no final da década de 70.
    Naquela época, eu era coroinha do Padre Francisco e a gente visitava, mensalmente, a capela que ficava na parte alta da serra. A julgar pelas fotos acima, a igrejinha parece ter sido abandonada.
    A visita à Serra dos Tardin era, quase sempre, uma aventura. Havia um senhor alto, de fala assertiva, que morava próximo ao pé da Serra. Era, se não me engano, o Sr Lendor. Ele embarcava na rural-Willys do Padre Francisco, e íamos os 3 no banco da frente, sem cinto de segurança, item cujo uso não era obrigatório naquele tempo. O Padre Francisco, ia de motorista, eu, na posição de carona do meio, e o Sr Lendor, na posição de carona da janela, para abrir um sem-número de porteiras que tinham que ser passadas até chegar à capela.
    Quando o Sr Lendor não se fazia presente, ficava a meu encargo a árdua tarefa de abrir as porteiras e, eventualmente, ter que calçar as rodas do carro em determinados pontos da Serra, onde a estrada era precária.
    Antes de começar a missa, gostava de ficar conversando com as pessoas de lá, em sua maioria, colonos de sítios e fazendas do local. Era gente muito simples, com linguajar sui-generis. Não me esqueço de um matuto que sempre chegava cedo e perguntava para mim "que horas o padre vai principiar a missa?". Achava engraçado ele usar o verbo "principiar". Na verdade, demorou um tempo para eu entender exatamente o que ele queria saber.
    Certa vez, numa roda de conversa dessas que precedia a celebração da missa, o assunto era a viagem do homem à lua. Então, começaram a surgir versões inusitadas do que seria a tal viagem. Um senhor disse que o homem não tinha ido à lua e que era tudo "jogo de luz". Eu, como bom bonjesuense, concordava desconfiando, apesar de não entender, exatamente, o que aquele senhor queria dizer com "jogo de luz". Outro matuto desdenhava, dizendo que "homem não tinha ido à lua, mas ido somente a uma estrelinha qualquer dessas aí", enquanto apontava para o céu. Mal saiba ele que a distância entre a terra e a estrela mais próxima (o sol) é mais de 380 vezes do que a distância entre o a terra e a lua.
    Um dia, ainda volto à Serra dos Tardins para passear. Vou de SUV offroad, 4x4, é claro!

    ResponderExcluir
  8. Tenho que visitar, se possível levarei meu pai para conhecer uma importante região das nossas origens

    ResponderExcluir