terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O TALENTOSO ESIO BASTOS




                               Delton de Mattos

     Esio é, antes de mais nada, um talentoso participante da nossa vida social e política. Quando foi fundado o PSD fluminense de Amaral Peixoto e do Senador Pereira Pinto, naquela memorável convenção, realizada em Campos, recordo-me com absoluta nitidez de sua figura inteligente e prestativa, animando a caravana de Bom Jesus durante a viagem, com os seus famosos chistes e trocadilhos, e suas observações oportunas e entusiastas, que ajudavam romper o percurso através da péssima estrada, com poeira entrando por todas as frestas do velho Ford 12 do motorista Lé.
     A completa redemocratização do país, depois da Segunda Guerra, exigia uma boa organização partidária, pois logo se consolidou a ferrenha oposição da UDN, reunindo em suas fileiras uma elite de excelente nível cultural, que no entanto logo assumiu as características da direita extremada e bem nutrida, pondo em risco os legítimos interesses do povo, especialmente das classes menos favorecidas.
      Em Bom Jesus, o então único jornal A Voz do Povo tomou posição clara e combativa a favor da UDN, fechando-nos por completo as suas colunas. É possível imaginar o que isto significou, do ponto de vista da campanha eleitoral, uma vez que não havia no município qualquer outro meio de comunicação falada ou escrita.
        Mas o nosso Esio Bastos era um bom jornalista, e tinha sido um dos eficientes redatores da própria A Voz do Povo, da mesma maneira que outros bonjesuenses, igualmente competentes e admirados. Diga-se entre parêntese, que alguns desses às vezes são hoje inexplicavelmente esquecidos, nos momentos das euforias comemorativas. Em suma, Esio Bastos teve a iniciativa de criar um novo jornal, para romper o monopólio e abrir novas perspectivas políticas ao município.




      E assim foi fundado o Norte Fluminense. Para lançar um dos primeiros números, lá estávamos nós, Esio e eu, pessoalmente, numa madrugada fria e inesquecível, enfiando debaixo da porta das casas a nova opção jornalística bonjesuense. Foi o início de uma emulação saudável e construtiva, pois é impossível dinamizar o progresso de uma sociedade, quando as opiniões são unânimes, sem o arejamento da divergência e da crítica. Só a controvérsia objetiva e desapaixonada, da crítica construtiva e independente, é capaz de promover o bem-estar social e garantir a plenitude da vida democrática.




    Dai por diante, Esio Bastos nunca mais parou. Espírito público por índole e vocação, correto e eficiente redator, dotado de um vocabulário rico e preciso, de uma frase clara e contundente, atravessou as décadas sempre ativo e vigoroso, como um raro exemplo de competência e probidade, de idealismo e desprendimento.
    Diretor fundador do Centro Popular Pró-Melhoramentos de Bom Jesus, vereador desde a primeira Câmara Municipal depois da independência do município, reeleito por mais duas vezes, Esio participou de diversas organizações de interesse local, tendo sido fundador da Lira Operária, candidato ao cargo de prefeito também duas vezes, e depois candidato a deputado estadual quase vitorioso, ficando na primeira suplência do seu partido.
     Na área administrativa, sempre se notabilizou, desde que foi executivo da Cia. Ferroviária Itabapoana, assessorando o seu prestigioso pai, até quando assumiu o lugar de Diretor Superintendente do Instituto Vital Brasil, importante entidade de experimentação e pesquisa do Estado, na gestão do Governador Badger Silveira. Ainda em Bom Jesus, organizou a Cia. de Armazéns Gerais do Vale do Itabapoana, que tantos serviços prestou ao comércio do café e ao financiamento bancário.
   Sempre jovial e bem humorado, companheiro que não abandona os amigos nos momentos difíceis, simpático e perspicaz, vibrante nas suas famosas tiradas de espírito, parece que não é fácil encontrar alguém mais credenciado para trabalhar pelo nosso progresso.
     Finalmente, é uma grande esperança vê-lo no páreo, nas eleições que se avizinham, disputando uma cadeira de vereador. E tenho certeza que, com o seu passado e a sua experiência, sem desmerecer outros nomes ilustres que eventualmente forem eleitos, sua presença na Câmara emprestará também em nossos dias novas dimensões à vida política administrativa do município.

                              Publicado em O Norte Fluminense (1992)
                              e no livro "SÓ UMA PENCA DE BANANAS"

Um comentário:

  1. Que bom que republicaram!De pessoas assim não podemos nos esquecer.

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