terça-feira, 28 de julho de 2026

A Noite em que o Tempo Cantou: Memória, Açores e Lira

 


​A noite vestiu-se, no dia 28 de julho, de brisa açoriana e do calor fraterno do Espírito Santo para celebrar o encontro do tempo com a arte. Na sede da CAES, em José Carlos, Apiacá, o ar rarefeito da emoção guiava os passos de quem reconhece nas raízes a própria identidade. 

Sob a batuta acolhedora e inspirada do presidente da instituição, Dr. Nino Moreira Seródio, a celebração ganhou contornos de eternidade ao unir os 4 anos da Casa dos Açores do Espírito Santo aos 84 anos de gloriosa história da Lira Operária Bonjesuense.

​Era uma simbiose perfeita entre o mar que une continentes e as notas que atravessam gerações. O salão respirava tradição, e a música, essa linguagem que dispensa traduções, logo tratou de ocupar o espaço com sua alma.

​Nesse cenário de comunhão, as canções ganharam vida na voz e no talento do açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves e José Antônio Alvarenga Borges, cujas atuações brilharam intensamente, iluminando os corações presentes como faróis de pura poesia sonora. Cada acorde parecia resgatar ecos de além-mar e de vales verdejantes, compondo uma tapeçaria de pura sensibilidade lírica.

​E, no centro dessa harmonia, a figura ímpar do Maestro Nilo Rodrigues, da Lira Operária Bonjesuense, erguia-se como o guardião da harmonia e da persistência cultural. Com seu pulso firme e sensível, conduzia os instrumentos e as almas, transformando o aniversário daquela casa em um rito sagrado de pertencimento.

​A noite avançou embalada por um jantar, acordes, sorrisos e abraços. Ali, no meio de acordes de banda e o palpitar insular da memória, constatou-se que a cultura não se mede apenas nos anos que passam, mas na beleza indescritível dos instantes em que decidimos, juntos, cantar a nossa própria história.




















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