Do CXBN ao Mundo: Um Tabuleiro Chamado Esperança
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| Prof. Fabio de Sousa Vargas, formando novas gerações de xadrezistas no CXBN: Pequeno no Mapa, Gigante no Tabuleiro |
A conexão entre o xadrez e os princípios da vida já foi muitas vezes evocada, e nunca em vão. No silêncio das casas pretas e brancas aprendem-se lições essenciais: a concentração que afasta o ruído do mundo, a capacidade de prever o amanhã a partir dos gestos de agora, o autocontrole exigido quando a tensão ameaça trair a razão. Cada partida é, em essência, um ensaio da existência.
Mas o xadrez não se limita ao íntimo do jogador. Ele também espelha o movimento das nações. A disputa pelo título mundial entre o norte-americano Bobby Fischer e o soviético Boris Spassky, em 1972, foi mais que um duelo de gênios: foi um capítulo da Guerra Fria jogado sobre um tabuleiro. Naquele tempo, o Brasil sonhava alto, e com razão. Nosso herói Mequinho chegou a ser o terceiro melhor jogador do mundo, provando que também aqui se pensa em sessenta e quatro casas.
Kasparov, ícone incontornável do xadrez, levou essa relação com a geopolítica a outro nível. Tentou sair do tabuleiro para governar a Rússia, mas os peões do poder o empurraram para fora do jogo, empurrando-o para o colo dos norte-americanos. Depois, em meio a crises na FIDE, surgiu a serenidade quase glacial de Magnus Carlsen. O gênio norueguês reinou absoluto, e por um tempo a geopolítica pareceu adormecer, como um relógio pausado entre dois lances.
Mas ela sempre retorna.
China e Índia, potências econômicas em ebulição, revelam uma safra impressionante de novos talentos. A Ásia avança silenciosa, e o outrora desconhecido Uzbequistão surge como surpresa estratégica, jogando como quem estudou o futuro.
E então, como um raio que corta o céu do sul, surge um novo prodígio: Faustino Oro, argentino de apenas doze anos, já comparado a Bobby Fischer. Um menino que joga como se tivesse vivido muitas vidas.
Enquanto isso, longe dos grandes centros, em Bom Jesus do Norte, desponta o CXBN. Sob o comando primoroso do professor Fábio de Souza Vargas, nasce uma nova geração de xadrezistas. Pequenos tabuleiros, grandes destinos. Ali, o mundo se reorganiza em silêncio.
O xadrez segue sendo espelho da geopolítica e metáfora da condição humana. Entre ataques e defesas, sacrifícios e esperanças, ele nos lembra que sempre há um próximo lance, e que, apesar de tudo, o jogo continua, trazendo consigo alegria, fé e a promessa de um novo amanhã.
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| Xadrezistas do CXBN disputaram torneio na biblioteca do Espaço Cultural Luciano Bastos |


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