Do Vulcão ao Vale do Itabapoana: Padre Mello, o Agrimensor dos Açores, Ressuscita em Relíquia
Luz Açoriana no Horizonte Bonjesuense: O Mapa que Padre Mello Traçou com Alma de Poeta
Em um gesto de resgate histórico que entrelaça ciência, fé e poesia, o primeiro mapa de Bom Jesus do Itabapoana, traçado com precisão quase renascentista, volta a iluminar o presente.
Datado de 15 de março de 1940, o documento foi confeccionado pelo açoriano Padre Antônio Francisco de Mello, nascido na ilha de São Miguel, um homem que uniu batina e bússola, púlpito e prumo. Sacerdote visionário, agrimensor talentoso, ele manejou o teodolito, instrumento de medição angular de alta precisão, usado em topografia e engenharia, para delinear as linhas da terra que o acolheu desde 1899. Segundo o pesquisador Prof. Dr. Pacheco, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a técnica empregada pelo padre ecoa os métodos do próprio Leonardo da Vinci, gênio da observação e da proporção.
Dr. Pacheco foi quem doou à CAES, Casa dos Açores do Espírito Santo, preciosos manuscritos de Padre Mello encontrados por ele de modo extraordinário em um alfarrábio de Lisboa.
Essa relíquia cartográfica, guardiã silenciosa das ruas, rios e sonhos de outrora, foi doada ao Espaço Cultural Luciano Bastos (ECLB) por Elcio Xavier, o Príncipe dos Poetas local, que assim entregou à memória coletiva um pedaço palpável da identidade bonjesuense.
Não menos precioso é o teodolito utilizado pelo padre, acompanhado de um manual datado de 1925. Ambos chegaram ao ECLB pelas mãos do saudoso Irmão Ederaldo do Carmo, sobrinho-bisneto do sacerdote, e de sua mãe, Therezinha do Carmo Oliveira, em gesto de afeto e preservação.
Hoje, o legado adormecido por décadas desperta. O Prof. Dr. Pacheco convidou o conceituado geógrafo bonjesuense Prof. Ms. Vinícius Moura, mestre pela UFAM e professor do Instituto Federal de Goiás, para examinar o mapa com olhos contemporâneos. Especialista na aplicação de drones à agricultura e ao ensino da geografia, Vinícius pretende decifrar as camadas do passado e oferecer sugestões para projetar o futuro da cidade, contribuições que integrarão o livro em preparação.
Grandes pesquisadores reúnem-se agora ao redor dessa herança extraordinária, como quem rodeia uma fogueira antiga para aquecer novas narrativas. A luz de Padre Mello, que nunca se extinguiu, expande-se: de São Miguel, nos Açores, ao norte fluminense, de um teodolito de latão a visões de amanhã, ela segue projetando-se, serena e insistente, para iluminar não só Bom Jesus do Itabapoana, mas o mundo que ainda pode aprender com a delicadeza de quem mediu a terra com o mesmo cuidado com que se mede a alma.
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| Teodolito usado por Padre Mello em suas atividades de agrimensor, doado pelo Ir. Ederaldo do Carmo e sua mãe Therezinha do Carmo Oliveira |
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| Manual do Agrimensor, de 1926, doado ao ECLB |
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| Primeiro mapa de Bom Jesus do Itabapoana confeccionado por Padre Mello em 15 de março de 1940, doado ao ECLB por Elcio Xavier, o Príncipe dos Poetas |



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