A antiga sede da Câmara Municipal de Uberlândia guarda o tempo como quem guarda um segredo.
Ergue-se com a elegância dos edifícios ecléticos, mistura de épocas e vontades, onde cada detalhe parece dialogar com a história da cidade que crescia ao seu redor.
As paredes falam baixo, mas falam. Contam sobre decisões, debates, passos apressados e silêncios solenes. A fachada, firme e ornamental, não busca apenas imponência: convida ao olhar atento, ao respeito pelo passado.
E então há a porta.
Que porta é essa?
Estranha e fascinante, como se tivesse atravessado oceanos e séculos para ali repousar. Não é apenas entrada, é limiar. Uma fronteira entre o cotidiano da rua e o peso simbólico do poder público, entre o fora e o dentro da história. Alguém já tinha visto uma porta assim? Talvez não. Talvez ela exista para lembrar que o tempo também sabe desenhar.
Ao cruzá-la, mesmo em pensamento, sente-se que Uberlândia não começou ontem. O edifício permanece, não apenas como construção, mas como memória viva, um gesto de pedra e madeira dizendo que o passado ainda respira, observa e nos pergunta, em silêncio, se sabemos escutar.




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