sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Quando a Democracia Aprende a Roubar

 


Há palavras que nascem para libertar e acabam servindo de disfarce.

“Democracia”, às vezes, vira máscara bem talhada, dessas que sorriem para o povo enquanto cochicham segredos nos salões fechados.

Defende-se a democracia em discursos inflamados, mas ela não entra pela porta dos fundos.

Fica do lado de fora, esperando, enquanto poucos brindam aos próprios privilégios em resorts, em taças que nunca chegam à mesa comum.

Quando a defesa da democracia não divide o pão, não escuta o cansaço, não suporta a crítica, ela deixa de ser princípio e vira estratégia.

Nesse teatro, a minoria se veste em tribunais de virtude e chama de estabilidade o conforto de não mudar nada.

Invoca instituições como quem ergue muros, não para proteger o povo, mas para manter intacto o lugar de sempre.

A democracia verdadeira é incômoda.

Ela bagunça cadeiras, expõe acordos, troca máscaras por rostos.

Não serve bem aos que lucram com o silêncio nem aos que confundem direito com herança.

Quando vira um supremo álibi, já não é democracia, é apenas o nome bonito de um privilégio com medo do dia.

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