domingo, 5 de março de 2017

O TOMBAMENTO SECRETO DO AERO CLUBE


Há cerca de três anos, foi requerido ao Ministério Público Estadual o Tombamento do Aero Clube



Há cerca de três anos atrás, o líder comunitário André Luiz de Oliveira oficiou ao Ministério Público Estadual requerendo o Tombamento do prédio do Aero Clube, tradicional clube de nosso município.


André Luiz de Oliveira requereu o Tombamento do Aero Clube em 2014




O ofício encaminhado à autoridade ministerial foi o seguinte:




Excelentíssimo Senhor Doutor Promotor de Justiça da Tutela Coletiva  do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural de Bom Jesus do Itabapoana (RJ)





ANDRÉ LUIZ DE OLIVEIRA, brasileiro, casado, ... , vem respeitosamente diante de Vossa Excelência expor e requerer o que se segue.
A Lei Complementar Municipal nº. 01 de 06 de novembro de 2006, que institui o Plano Diretor Participativo do Município de Bom Jesus do Itabapoana, estabelece no art. 12 do Capítulo IV intitulado “Do Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico”, que “são diretrizes para a política de Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico do Município de Bom Jesus do Itabapoana”, garantir plano de estudo para a viabilização de tombamento no município de Bom Jesus do Itabapoana (inciso I) e incentivar projetos de resgate da memória cultural e histórica do município (inciso II).
Ocorre que o patrimônio cultural de nosso município vem sendo perdido por omissão do poder público municipal, como podemos mencionar os casos envolvendo dois prédios localizados na rua Buarque de Nazareth que foram demolidos recentemente e cujas fotos seguem anexo, insertas em um texto distribuído pelo jornal O Norte Fluminense.
Por outro lado, deve-se assinalar que o Aero Clube, tradicional clube de nosso município, que teve suas atividades iniciadas no dia 1º. de maio de 1942, e cujo breve histórico se encontra no mencionado documento em anexo, foi leiloado para pagar dívida trabalhista e encontra-se sob o risco de ser vendido e demolido, após ter suas atividades paralisadas decorrentes de severa crise financeira.
Diante do risco concreto de Bom Jesus do Itabapoana perder mais um imóvel relevante em termos culturais e históricos, é que venho diante de Vossa Excelência, como guardião da sociedade, solicitar as providências que o caso requer para impedir que o prédio do Aero Clube venha a ser demolido.

Pede e espera deferimento.

Bom Jesus do Itabapoana, 17 de outubro de 2014.





          ANDRÉ LUIZ DE OLIVEIRA



Na época, O Norte Fluminense, através de sua edição impressa e do blog, anunciou a luta pela preservação do Aero Clube, relatando um resumo da história da entidade, que segue abaixo.
(cf. em http://onortefluminense.blogspot.com.br/2015/05/lider-comunitario-pede-intervencao-do.html )




Um Pouco da História do Aero Clube


O Aero Clube teve início de suas atividades no dia 1º de maio de 1942. Na ocasião, ele passou a funcionar em uma casa alugada localizada na Rua Gonçalves da Silva, onde, mais tarde, foi instalado o Grupo Escolar Pereira Passos.

Posteriormente, com a aquisição de um prédio na Praça Amália Teixeira Chalhoub, ali foi instalada sua sede definitiva.

Desde então, todas as atividades relevantes da sociedade bonjesuense passaram a ser desenvolvidas no Aero Clube.

Artistas de renome nacional se apresentaram em seu palco, como Nelson Gonçalves, Jamelão, Celi Campelo, Virgínia Lane, Carlos José, Orquestra Tabajara e Orquestra Severino Araújo, entre outros.

Em seu salão ocorreram festas de réveillon e de carnaval, festas do Olympico FC e do Ordem e Progresso FC, festas de formatura, bailes de coroação de Rainha da Festa de Agosto, bailes da saudade e bailes de debutantes.

O G.R.E.S. do Uriçu e o Bloco do Barra Pesada se apresentavam na quadra do clube, onde ocorriam ainda, festas juninas.
Apuração dos votos e visitas de governadores também ocorriam em seu salão.
O Aero Clube constitui um patrimônio cultural de Bom Jesus do Itabapoana e, por este motivo, tem de ser preservado.


(Fontes de pesquisa: Livro de atas do Aero Clube e Ercília Borges do Carmo)

Para a surpresa de todos, Wisley Fernandes, atual funcionário da área de turismo da Secretaria Municipal de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura, acabou de informar que a referida pasta recebeu do Ministério Público Estadual ofício requisitando informações sobre o procedimento de Tombamento do Aero Clube, que não estaria sendo encontrado no departamento.

Segundo Wisley, restou localizado apenas um papel indicativo de que o procedimento de Tombamento teria sido iniciado, faltando apenas localizar o mesmo.

Vamos aguardar, portanto, as diligências dos servidores da Secretaria, para que possam ser dados os esclarecimentos devidos.


Wisley Fernandes: "Ministério Público requisitou informações sobre o Tombamento do Aero Clube"







 

Estas trovas... As mais novas



Beijo de línguas saboroso                                                            Da minha janela à tua
sabe tanto a pão de ló                                                        pouco mais de palmo e meio
jamais serei preguiçoso                                                                     o meu olhar flutua
com meu amor, se, a sós.                                                      sem me veres vejo teu seio.                             
                                                                                                                                                                                          Sou poeta, e não maroto                                       Tanto, tanto ela canta
do versejar, sou vaidoso                                                           não quando, está à mesa
sou como Vinho do Porto:                                                       canta, afina a garganta                        
quanto mais velho, gostoso.                                                 cantando, espanta tristeza!

Teus lábios, que doces são                                                Contentes, brincam crianças
como sempre, não há horas...                                               seja qual seja o brinquedo
amargo o meu coração                                                 nos balouços, como são mansas
por saber: outros, namoras.                                                 outras não vão, têm medo.

Ventania desarvorada                                                                De renda, uma cortina
leva tudo à sua frente                                                                     pano sujo, da poeira
não amizade aninhada                                                                  sacola não pequenina
seja a dita bem recente.                                                            e faço compras na feira.

Rapa o tacho, rapa o tacho                                                          Padeiro amassa o pão
rapa o tacho ó José.                            para comer, pra vender.                                                                                  Na vinha, comi um cacho                                      Corredor, se campeão
estou  cansado, fui a pé.                                                         na pista, sempre a correr.

Os rios têm correntes                                                        Se tu pedires, mas, com jeito
do caudal regam o solo                                                             dou-te um doce beijinho
as trovas regam as mentes                                                         e quando noite, no leito
deste meu dom, me consolo.                                                   não só apenas, carinho!...

O Arunca quando passa                                                              O cigarro é uma arma
suas águas são ligeiras                                                                       o fumante sabedor                  
a saudade, não escassa                                                                se vivo, não a desarma
das cochas das lavadeiras.                                                        só quando pra cova for.

Quando olho os teus passos                             Do embarque, inda teu beijo                                       
são os ditos apressados                                                     és pra mim, sempre queri                                            não escassos os abraços                                               tão doce nosso desejo
aos teus tantos namorados.                                                    mas amarga a despedida.                                      

Sei que és prenda do lar                                                                   Era muito inocente
é o dito, um primor                                                                          a minha prima Inez
tens prazer em namorar                                                         por querer... e de repente
no teu leito, muito amor.                                                                 a terceira gravidez!


                                    (Novembro/2016-José Pais de Moura)



     

Confraria Sol das Letras celebra parceria com Divulga Escritor em evento a ser realizado, 09 de março, em João Pessoa - PB


A Confraria Sol das Letras promove, na próxima quinta-feira (dia 9), na Academia Paraibana de Letras, o XXXVIII Pôr do Sol Literário, com uma programação, que inclui homenagem ao escritor sousense Eilzo Matos, e lançamento do livro “Nua” da cantora Renata Arruda, este o seu primeiro trabalho como poeta, uma obra que pelo seu ineditismo, já nasce polêmica.

Eilzo, que receberá o Troféu Solito, é membro da Academia Paraibana de Letras e tem uma vasta produção literária, onde se destacam obras como “A face do tempo” (poesia), “A super quadra” (novela), “Horas trágicas” (contos), “Prosa caótica” (crônicas), “Letras do Sertão”, “Viajantes do purgatório” e “A invasão das cobras” (romance).

Será celebrada, em seguida, parceria com a revista lusófona Divulga Escritor, que trabalha com escritores de todos os países de língua portuguesa. 

Esta edição do Pôr do Sol Literário também irá destacar o trabalho do artista plástico radicado na Paraíba Guto Holanda, autor de uma obra única, de inspiração expressionista. Guto irá apresentar uma amostra de sua exposição “A expressão da cor”.

Ao término, haverá uma performance musical com Renata Arruda, dentro da sua programação lítero-gastronômica. O Pôr do Sol Literário iniciará às 17h30, no pátio Academos da Academia Paraibana de Letras.

Sol das Letras - O Por do Sol Literário já se consolidou como um dos mais prestigiados eventos da área literária na Paraíba. O grupo Sol das Letras foi criado para estimular a produção, criação, divulgação e debate sobre a literatura paraibana, nos cenários regional e nacional.

A confraria se propõe a protagonizar, além do Por do Sol, outras iniciativas, como a realização da I Flor (Festa Literária do Extremo Oriental), a premiação das melhores obras do ano e ainda um concurso público, como o objetivo de projetar a literatura paraibana, não apenas no Estado, mas em todo o País.

Pôr do Sol Literário tem apoio da Academia Paraibana de Letras, Livraria do Luiz e Divulga Escritor.

Divulga Escritor, unindo você ao Mundo através da Literatura, visite nossa página no Facebook:



Dia Nacional da Poesia: 14 de Março




sábado, 4 de março de 2017

Aniversário do Desembargador Antonio Izaias da Costa Abreu




Desembargador Antonio Izaias da Costa Abreu


Faz aniversário amanhã, o desembargador Antonio Izaias da Costa Abreu, filho de Edgar Teixeira Abreu e Maria Aparecida da Costa Abreu.

Nascido em Bom Jesus do Itabapoana, fez aqui os primeiros estudos. Os cursos ginasial e técnico de contabilidade foram realizados no colégio Bittencourt, em Itaperuna (RJ).  Estudou o curso científico no Colégio de Pádua em Santo Antonio de Pádua (RJ).

Foi professor da Escola Técnica de Comércio do Colégio Rio Branco, em nosso município. 

Formado em direito pela Universidade Católica de Petrópolis em 1964, foi professor na mesma Universidade no período de 1974 a 1991, ministrando as matérias de direito civil e penal. 

Magistrado, por concurso público de provas e títulos do Estado do Rio de Janeiro, ingressou na carreira em 28 de junho de 1972. 

Foi juiz de direito nas comarcas de Laje do Muriaé, Itaperuna, Campos dos Goytacazes, Niterói, Petrópolis e na comarca da capital do Rio de Janeiro, onde ocupou a titularidade da 23ª Vara Criminal. Foi juiz auxiliar da Corregedoria de Justiça no biênio 1985/1986. 

Ingressou no Tribunal de Alçada Criminal (TACRIM), em 1988, sendo promovido para o Egrégio Tribunal de Justiça no dia 15 de abril de 1997, onde teve assento e ocupou a presidência da 8ª Câmara Criminal, aposentando-se por força do dispositivo constitucional do limite de idade, em 02 de março de 2002. 

Desempenhou, ainda, o cargo de Diretor da Revista ATA do Tribunal de Alçada Criminal do Estado do Rio de Janeiro, de 1995 a 1997.

É membro das seguintes entidades culturais: Sócio Honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais “Casa de João Pinheiro”; Instituto Histórico de Petrópolis; Academia Petropolitana de Letras; Academia Petropolitana de Educação; Academia Petropolitana de Letras Jurídicas; Academia Bonjesuense de Letras; Instituto de Letras e Artes Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo; Academia Paduana de Letras; Artes e Ciências; Academia Itaocarense de Letras; Associação dos Juristas Católicos do Rio de Janeiro; Société Internationale de Prophylaxie Criminelle, Paris, França. Membro e Consultor Jurídico da Associação Cultural do Arquivo Nacional (ACAN) e membro da Comissão Permanente de Preservação da Memória Judiciária – Museu da Justiça.

Realizou os documentários cinematográficos: Ruínas de Macacu e do Convento São Boaventura – VHF (1988), O Quilombo de Paty do Alferes – VHF (1988), O Retorno da Princesa – DVD (2010), Convento de São Boaventura – Macacu - DVD (2011).

Publicou os seguintes trabalhos literários: O linguajar do marginalizado (1983); Quilombos em Petrópolis (1988); A morte de Koeler, a tragédia que abalou Petrópolis (1992); Municípios e Topônimos Fluminenses (1994); Julio Frederico Koeler – O Arquiteto (1996); Ternas Recordações, poesias (2001); Posse acadêmica e homenagem (2005); Palácios e Fóruns do Estado do Rio de Janeiro (2006); O Judiciário fluminense – período republicano (2007); O Judiciário Fluminense e suas Comarcas – capital e interior (2008) e Relação do Rio de Janeiro, 1752-2002 – coordenador (2002); A Colonização do Sudeste - A Prevalência Italiana (2015); "OBRAS COMPLETAS DE RUI BARBOSA, Prefácios, notas e revisões por JOSÉ GOMES BEZERRA CÂMARA", Prêmio Funager (2015). 


Agraciado com inúmeros títulos e comendas, o desembargador, historiador, produtor de documentários e poeta Antonio Izaias da Costa Abreu é um homo universalis e orgulho dos bonjesuenses.

O Norte Fluminense parabeniza o ilustre conterrâneo, desejando-lhe muitos anos de vida!


JOSÉ TAROUQUELA E HELTON ALMEIDA: UMA HISTÓRIA DA IMPRENSA BONJESUENSE DE PAI PARA FILHO (I)



José Tarouquela de Almeida



Helton de Oliveira Almeida, filho de José Tarouquela


José Tarouquela Almeida e seu filho Helton de Oliveira Almeida construíram uma das mais belas páginas da história da imprensa em Bom Jesus do Itabapoana.

José Tarouquela nasceu na localidade de São Domingos, hoje distrito de Aré, pertencente a Itaperuna (RJ), no dia 24 de Março de 1905. Por causa da crise econômica, mudou-se para Bom Jesus do Itabapoana com os irmãos Catão e Ernani. 

Em 1923, casou-se com com Maria Carlota de Oliveira Almeida, filha de "Quinca Teixeira", tendo seis filhos: Geraldo, Dalton, Helvio, Helton, Maria José, Ildes e cerca de vinte netos. Neste mesmo ano, adquiriu uma chácara onde, depois, funcionou o antigo Colégio Rio Branco por 90 anos, e hoje está instalado o ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos). 

Embora fosse oriundo da zona rural, Tarouquela gostava de mexer em máquinas. Em Aré, por exemplo, fornecia madeira, através de carro de boi, para a estação de trem. Depois, chegou a ser operador da ferrovia.

Foi assim que vendeu a chácara em 1925, e comprou a máquina francesa Alauzet, do século XIX - que hoje está no Museu da Imprensa, do ECLB - que pertencia a Tebas Ananias, de São José do Calçado (ES). O italiano Vitório Cassamali, que era um ferreiro, ajudou a montá-la em Bom Jesus. 


Helton Almeida reviu. em 2012, a máquina francesa Alauzet, do século XIX, que pertenceu a seu pai, José Tarouquela, no Museu da Imprensa do ECLB

Em 1927, dedicou-se exclusivamente ao ramo gráfico, como um dos pioneiros na região. Em 1928, fundou Bom-Jesus Jornal, que, devido à carência financeira, durou pouco tempo.
José Tarouquela de Almeida editou o BOM JESUS-JORNAl em 1928 (acervo do Museu da Imprensa do ECLB)
(continua)