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| Arte: Claudia Borges Bastos do Carmo |
Abril chegará como quem abre janelas.
E, com ele, chegará também o Mês de Padre Mello, não como um simples calendário de eventos, mas como um sopro de memória viva, que atravessa montanhas, rios, fronteiras invisíveis e se transforma em encontro.
Em Bom Jesus do Itabapoana e Varre-Sai, o chão conhece seus passos. Por oito anos foi pároco em ambas as paróquias.
As ruas guardam ecos de sua voz mansa, as igrejas ainda respiram suas orações, e o povo pronuncia seu nome como quem chama um velho amigo.
O açoriano Padre Antônio Francisco de Mello, um gênio da civilização e da cultura, não cabe no passado.
Ele insiste em florescer.
Abril, então, se esticará.
Sairá do aconchego serrano do Noroeste Fluminense e cruzará pontes, curvas e horizontes, até alcançar terras capixabas.
No Espírito Santo, a chama se acenderá novamente.
E em Apiacá, na Casa dos Açores do Espírito Santo, o espírito do encontro ganhará morada. Foi lá que chegou ao Vale do Itabapoana no dia 17 de junho de 1889.
Ali, cultura e fé dão as mãos.
Ali, memória não é museu, é movimento.
É roda de conversa, canto, poesia, palestra, partilha, abraço.
Padre Mello reaparece em cada gesto simples: no café servido com cuidado, na história contada sem pressa, na lágrima que escorre quando alguém se reconhece pertencente.
Porque celebrar Padre Mello não é apenas recordar um homem, é reafirmar um modo de existir: humano, fraterno, atento, profundamente amoroso.
Bom Jesus e Varre-Sai plantam.
Apiacá colhe.
O Espírito Santo floresce.
E abril se tornará mais que um mês: será ponte entre gerações, sera altar sem paredes, será canto coletivo de gratidão.
Assim, o Mês de Padre Mello caminhará.
Sem alarde, mas com raízes profundas.
Sem espetáculo, mas com sentido.
E enquanto houver quem conte sua história, quem viva seus valores, quem transforme saudade em ação, Padre Mello continuará presente, não apenas em abril, mas em todos os dias que escolherem ser melhores.

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