quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O futuro da cerâmica em Casimiro de Abreu depende de apoio público



No coração da Fazenda Visconde, em Casimiro de Abreu, o Ateliê Filhos do Barro, sob a batuta inspiradora do Mestre Artesão Daniel de Lima, palpitou com mais uma chama de criação.

Recentemente, o espaço acolheu um workshop inédito de esmaltação de cerâmica, ministrado pelo Mestre Alexander Fleming, reunindo os numerosos artesãos da região, muitos deles formados pelas mãos pacientes e experientes do próprio Daniel.

O poder público municipal de Casimiro de Abreu poderia apoiar esse projeto admirável: a Arte do Agricultor, que leva a arte do barro diretamente aos produtores rurais, entrelaçando o labor da terra com o da criação manual.

No Assentamento da Fazenda Visconde, as oficinas ministradas pelo Mestre Daniel de Lima têm formado gerações de artistas que encontram no barro não só uma técnica, mas uma terapia, uma renda complementar e uma forma de pertencimento. Daniel de Lima, com sua trajetória que atravessa o Nordeste (Tracunhaém como berço de aprendizado) até o Norte Fluminense, personifica essa ponte: ele molda peças e, mais importante, molda olhares e mãos que antes só conheciam o plantio.

As peças que saem dessas mãos, vasos, esculturas, objetos utilitários, carregam o cheiro da roça, o ritmo das estações e a esperança de um turismo que valorize o autêntico. Elas convidam o visitante a tocar o que é local, a levar para casa um pedaço vivo da cultura casimirense.

Por isso, é urgente que o poder público municipal apoie iniciativas como essas. Continuar investindo em capacitação, em materiais, em visibilidade, seja por meio de feiras, exposições ou parcerias como essa com mestres convidados, significa qualificar o artesanato para além do hobby: torná-lo produto atraente, competitivo e sustentável. Um artesanato que atenda ao olhar exigente do turista, que busque autenticidade, durabilidade e narrativa, é também uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento local. Fortalecer esses ateliês é semear o futuro do município: do barro vem a arte, da arte vem a renda, da renda vem a dignidade.

Que o fogo continue aceso na Fazenda Visconde. Que as mãos de Daniel e de seus alunos sigam dançando com a argila. E que Casimiro de Abreu, terra de poetas e de oleiros, siga provando que, do barro, realmente viemos, e, com ele, podemos renascer quantas vezes for preciso.






















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