Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
A Virada do Ano em Pirapetinga: Esperanças e Paisagens
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| Adalto Boechat Júnior |
Inicio esta crônica com um pensamento da pirapetinguense Iracema Seródio Boechat, que traduz como poucos o sentimento deste lugar:
“Por que dizer adeus, se aqui vou ficar envaidecido com a beleza das paisagens?”
Estou sentado na praça de Pirapetinga de Bom Jesus. A praça daqui é inspiradora. Neste último dia do ano de 2025, tantas lembranças me visitam, como se o tempo tivesse decidido sentar-se ao meu lado.
Há uma calmaria própria do fim de ano, sem fogos estressantes, apenas a espera silenciosa do dia seguinte, quando o banho de cachoeira renova corpo e alma. Sinto quase o cheiro da ceia sendo preparada, e vejo, na memória, as senhoras de bobes no cabelo, antigamente era assim; hoje, estão mais modernas, mas o espírito permanece o mesmo.
As igrejas se preparam para receber seus fiéis: uns agradecem pelo ano que termina, outros pedem bênçãos para o ano vindouro. Há lembranças de quem perdemos no caminho, misturadas à alegria pelos novos membros que chegaram à família. Uns pedem saúde, outros agradecem por tê-la. Mas o fato é que todos carregam no coração uma esperança renovada.
A pracinha, que durante o dia o sol insiste em deixar vazia, à noite se enche de gargalhadas. Gente bronzeada pelos banhos de cachoeira ocupa os bancos, troca histórias, ri alto. Modéstia à parte, nossas cachoeiras são daquelas que ficam para sempre na memória de quem as conhece.
As cores das roupas anunciam desejos: branco para a paz, amarelo para a prosperidade, verde para a esperança, símbolos do que cada um espera para amanhã e para mais 365 dias novos. De um lado, Nossa Senhora das Graças acolhe quem chega a Pirapetinga; do outro, Nossa Senhora Aparecida recebe os filhos da terra, os visitantes e os que sempre retornam.
Esperar uma virada de ano luxuosa em nosso distrito seria pretensão demais. Mas uma coisa é certa: a comunidade se torna mais fraterna, os abraços mais sinceros. Ainda aguardamos as visitas que virão nos ônibus de Bom Jesus e Itaperuna. A ansiedade aumenta, ninguém consegue esperar em casa. Sentados na praça, eu e tantos outros compartilhamos a mesma espera.
Aqui estou, aguardando minhas visitas, observando tantos corações na mesma expectativa. Desejo que este novo ano nos traga muitos motivos para sermos felizes em nossa terrinha natal, lugar pequeno, mas de grande tradição.
E termino esta crônica como a iniciei, repetindo o pensamento de Iracema Seródio Boechat, que parece ter sido feito sob medida para Pirapetinga:
“Por que dizer adeus, se aqui vou ficar envaidecido com a beleza das paisagens?”
Quando il Sole Tramonta Ad Amalfi
Oreshnik: a bomba que mudou o jogo
"Europa woke" financiaria "lavagem cerebral" através de ONGs, diz politico
Kirill Dmitriev criticou uma proposta orçamentária da Comissão Europeia para aumentar o financiamento de ONGs.
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| O enviado especial da Presidência russa, Kirill Dmitriev.Sefa Karacan/Anadolu /Gettyimages.ru |
O enviado especial do presidente russo, Kirill Dmitriev, fez um comentário sarcástico na quarta-feira na rede social X sobre a "Europa woke", referindo-se ao aumento acentuado do financiamento para organizações não governamentais.
Dmitriev respondeu a uma publicação que relatava que "a mais recente proposta orçamentária da Comissão Europeia prevê um aumento de 600% no financiamento de ONGs". Em seu comentário, o funcionário russo escreveu: " Europa politicamente correta: US$ 10 bilhões em financiamento para lavagem cerebral de ONGs (um aumento de seis vezes) para tornar os europeus 'mais conscientes e apreciativos da diversidade [migrante e outras]'".
Kirill Dmitriev tem reiteradamente alertado para o perigo representado pela agenda "woke" que o Ocidente tenta impor. "Woke" é um termo relacionado a um conjunto de ideias e propostas focadas na igualdade de gênero, nos direitos LGBTQ+, na equidade racial e em outras questões sociais.
Como Dmitriev destacou em outubro, o presidente russo Vladimir Putin vem falando há mais de 20 anos sobre a importância dos valores tradicionais, com foco em garantir que um mundo dominado pela ideologia "woke" não se instale.
VÍDEO: "BOAS FESTAS PRA TODOS!", por Rogério Loureiro Xavier
*"Olá 🖐 pessoa amiga e do bem."*
*"BOAS FESTAS PRA TODOS 🥳 "*
*"Dentro de algumas horas, o Ano Novo vai chegar..."*
*" Desejo que 2026 seja um ano repleto de boas energias, conquistas e momentos felizes!"*
👇🏻👇🏻🎉🎊🕊💖👇🏻👇🏻
*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Bom Dia! Boas Festas!! Feliz 2026!!!, por Rogério Loureiro Xavier
Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.
*"Bom Dia! Boas Festas!! Feliz 2026!!! 🎊🎊🕊💖🙏✨️"*
*"Queridos irmãos de viagem."*
Paz e Bem! 🙏🙏
Estaremos dentro de pouco tempo, começando mais uma viagem, com um tempo previsto em todo o trajeto de 365 dias definam bem o seu destino e embarquem na plataforma 2026. Quem tiver mágoas, ressentimentos, pendências e tristezas antigas na bagagem, favor descarregá-las no Balcão 2025.
Os passageiros que portarem sorriso nos lábios, coração aberto e mãos prontas a construir terão assento preferencial ao lado da janela da felicidade. Solicitamos a todos que apertem o cinto da esperança e recomendamos que ninguém, em hipótese alguma, utilize a saída de emergência durante a viagem.
Caso haja períodos de turbulência, mantenham a calma e a confiança no piloto desta aeronave, O Espírito Santo de Deus... Que ao mesmo tempo estarão ao lado de cada passageiro.
*"A todos, uma excelente viagem!"*
😘😘😘😘
*" ✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*
20 de dezembro de 2003: o grande dia do xadrez em Bom Jesus do Norte
O Papel do Clube de Xadrez na Formação Cultural de Bom Jesus do Norte
O Xadrez como Patrimônio Cultural de Bom Jesus do Norte
Foi em 20 de dezembro de 2003, há 22 anos, que a pequena Bom Jesus do Norte viveu um daqueles instantes raros em que o tempo parece parar para fazer história. Naquele dia, os enxadristas bonjesuenses José Ronaldo Mascarenhas, Gino Martins Borges Bastos, Major Ênio Nascimento dos Reis e Thiago Teixeira reuniram-se no antigo Colégio Estadual Horácio Plínio para receber um visitante ilustre: o Grande Mestre Internacional de Xadrez cubano Reynaldo Vera.
Era a primeira vez que a região recebia um Grande Mestre Internacional. Vera ministrou uma conferência e protagonizou uma simultânea, enfrentando 20 enxadristas ao mesmo tempo, num espetáculo silencioso em que cada movimento carregava séculos de tradição.
A fotografia daquele encontro, recentemente resgatada, lança nova luz sobre a história enxadrística da região e revela mais do que rostos: revela um tempo, uma vocação e um sonho coletivo.
José Ronaldo Mascarenhas trazia no currículo o feito de campeão olímpico de xadrez na década de 1970. No Brasil daquela época, despontava um gênio que encantava multidões: Henrique Mecking, o Mequinho, que chegou a ser o terceiro melhor enxadrista do mundo. Seu nome foi ovacionado no Maracanã, algo impensável hoje, antes de uma partida de xadrez. Foi nesse ambiente de fascínio que Gino iniciou sua trajetória, ao ganhar de Natal o então célebre “Jogo do Mequinho”.
Thiago Teixeira, formado no tabuleiro por José Ronaldo, tornou-se um dos mais fortes enxadristas da região. Já o Major Ênio transformou sua residência em Bom Jesus do Norte em um verdadeiro clube informal de xadrez, onde ideias, partidas e amizades se cruzavam.
No cenário mundial, o xadrez havia sido marcado pela façanha de Robert Fischer, que quebrou a hegemonia soviética ao conquistar o título mundial. Ao mesmo tempo, a escola cubana consolidava-se como uma das mais respeitadas do planeta, tendo em José Raúl Capablanca o único campeão mundial oriundo da América Latina.
O ano de 2003 também assistia ao surgimento de uma nova era. Um garoto norueguês de 12 para 13 anos, chamado Magnus Carlsen, começava a chamar a atenção do mundo ao conquistar o título de Mestre Internacional (MI). Décadas depois, tornar-se-ia múltiplo campeão mundial e um dos maiores nomes da história do xadrez.
Outro documento histórico, igualmente recuperado, registra a fundação do Clube de Xadrez de Bom Jesus do Norte, em 30 de abril de 1996, que se aproxima de seus 30 anos. Gino Martins Borges Bastos foi o primeiro presidente. A diretoria reunia nomes como José Ronaldo Mascarenhas, Major Ênio Nascimento dos Reis, seu filho Coronel Ênio Chaves dos Reis e Jorge Wilson da Rocha, várias vezes campeão estadual capixaba.
O xadrez em Bom Jesus do Norte, portanto, não é episódio: é trajetória.
O evento de 20 de dezembro de 2003 possui um simbolismo profundo. Naquele dia, a pequena cidade do sul do Espírito Santo concentrou, em um único espaço, não apenas a história do xadrez, mas um facho da própria história do mundo, que segue em movimento até hoje.
Atualmente, o xadrez integra a matriz curricular do município. O já glorioso Clube de Xadrez de Bom Jesus do Norte funciona na Biblioteca Romeu Couto e na Casa de Cultura, sendo administrado com competência pelo professor Fábio Sousa Vargas, que já pode celebrar o surgimento de uma nova geração de enxadristas na região.
Já se disse que não existem caminhos prontos: o caminho se faz caminhando.
O Clube de Xadrez de Bom Jesus do Norte, que conta entre seus ilustres frequentadores e apoiadores com Tino Marcos, o maior jornalista esportivo brasileiro de todos os tempos, pode hoje olhar para trás com orgulho e mirar o futuro, 2026, com esperança firme.
Em 1905, o Padre Antônio Francisco de Mello, o Padre Mello, escreveu com lucidez:
“Avivar a memória dos fatos que abrilhantam a história de um povo é estimular as gerações presentes à conquista das glórias futuras.”
As glórias futuras, ao que tudo indica, já começaram a chegar.
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| Clube de Xadrez de Bom Jesus do Norte foi fundado em 30 de abril de 1996 |
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| Tino Marcos, o maior jornalista esportivo brasileiro de todos os tempos, é frequentador e apoiador do Clube de Xadrez de Bom Jesus do Norte, CXBN |
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Para nossa reflexão hoje…, por Rogério Loureiro Xavier
Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.
*"Bom Dia Amigas(os) ✌️"*
*"Para nossa reflexão hoje…"*
Há lugares onde nossa presença não soma, não cura e não é valorizada.
Permanecer onde não fazemos diferença é insistir em se apagar aos poucos. A maturidade espiritual e emocional nos ensina que saber ficar é importante, mas saber sair é essencial.
Ser ausência, às vezes, é um ato de amor-próprio, de respeito consigo mesmo e de silêncio cheio de dignidade.
Quem reconhece o próprio valor não implora por espaço — escolhe onde é bem-vindo, onde é ouvido e onde faz sentido permanecer.
*"Paz e Luz para o nosso caminhar..."*
*" ✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*
domingo, 28 de dezembro de 2025
"O tempo chega e novos hábitos surgem..."por Rogério Loureiro Xavier
Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.
*"O tempo chega e novos hábitos surgem..."*
Com o tempo, a gente vai se afastando das festas, dos eventos, das multidões barulhentas...
E quem olha de fora, às vezes pensa:
"Perdeu o brilho, perdeu a vontade."
Mas não é isso. É que a gente aprendeu a escolher. Aprendeu que não precisa mais estar em todo lugar, sorrir o tempo todo, se encaixar onde não cabe. A gente aprende a não forçar presença onde o coração já não pulsa. E então, com uma leveza que antes parecia impossível, a gente diz: isso não é mais pra mim. E quem ouve, às vezes sente pena...
Mas só quem chegou aqui entende: Não é tristeza. É alívio. É a paz de quem não precisa mais provar nada.
*" ✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*
Maria Beatriz: Mestre dos Saberes Luso-Brasileiro
• Mestre dos Saberes Luso-Brasileiro
Homenageado(a) Maria Beatriz
A Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, instituição renomada e guardiã dos saberes e da cultura luso-brasileira, tem a honra ímpar de convidar para outorga e cerimônia de concessão do título de Mestre dos Saberes Luso-Brasileiro, em evento sublime de homenagem ao intercâmbio cultural internacional promovido pelo ilustre Coletivo Flores Literárias, sob a luminosa presidência da insigne Jaqueline Brum.
O Intercâmbio foi imortalizado pela mostra Literária CONEXÃO CULTURAL BRASIL PORTUGAL, realizado em Viana Do Castelo - Portugal, por Jaqueline Brum
Este título que terá seu troféu confeccionado em Azulejo estiloportuguês, de rara distinção e magnitude, celebra a pujante comunhão entre as culturas de Brasil e Portugal, erigindo-se como um tributo perene aos artistas lusófonos que, com sua genialidade, têm engrandecido a língua e a cultura que nos une. Nesta ocasião ínclita, não apenas reconhecemos, mas exaltamos e comemoramos a excelência e a contribuição inestimável destes mestres para o patrimônio cultural luso-brasileiro.
A cerimônia contará com a presença e assinatura de ilustres autoridades culturais brasileiras, a saber:
- Janaína da Cunha, bisneta do imortal Euclydes da Cunha
- Zuleica Tani, tataraneta do genial Monteiro Lobato
- Ex-ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois
E terá também a honra de contar com a assinatura da eminente artista plástica portuguesa, Leonor Trindade, cuja obra transcende fronteiras e consagra a arte luso-brasileira.
Data: Início do ano de 2026
Local: Museu do Sal | Durante a Exposição Conexão Cultural - Flores Literárias
Venha participar conosco desta celebração sublime do intercâmbio cultural e do reconhecimento aos mestres lusófonos, num momento que eterniza a união e a grandeza de nossas culturas.
*Agradecemos sobremaneira sua honrosa presença!*
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sábado, 27 de dezembro de 2025
Chiragazunga: Memórias da casa do Major Ênio
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| Gino Martins Borges Bastos |
Em minha juventude, frequentei muito a casa do casal Major Ênio e dona Nilda, em Bom Jesus do Norte. Juntamente com seus filhos, Eninho, Lea, Brígida e Anatólia, formavam uma segunda família, sentimento que permanece até hoje.
Major Ênio era uma figura única, repleta de sabedoria, acompanhada de fino humor, expresso por gestos e palavras de intensa humanidade. Seus feitos não cabem numa crônica. Mas vamos por partes.
Certa vez, ouvi-o exclamar uma palavra diferente:
- Chiragazunga!
Em outras ocasiões, a exclamação vinha reforçada pela repetição do sufixo:
- Chiragazunga, zunga, zunga!
O que significava?
Tratava-se de uma interjeição usada para expressar uma emoção de alegria, assim como a palavra “caramba”, também empregada para manifestar emoções intensas.
Quando me tornei professor de Física, passei a usar a palavra “Chiragazunga” em sala de aula como introdução ao desenvolvimento da capacidade crítica dos alunos. Eu os convidava a imaginar uma sociedade em que todos afirmavam, categoricamente, que “Chiragazunga” era muito bom, uma verdadeira maravilha.
Até que alguém resolvia perguntar:
- O que é Chiragazunga?
Essa pergunta causava um desconforto geral, pois ninguém sabia o significado da palavra. Todos repetiam uma suposta verdade sem consciência crítica. Repetiam porque sempre se afirmara assim.
Acompanhando essa introdução teórica, eu realizava experimentos relativamente simples que demonstravam como o senso comum costuma ser construído de forma irregular e acrítica.
A casa do Major Ênio foi um verdadeiro Centro Educacional, Cultural e Humano, que certamente caberá na descrição de outras crônicas.
"2025 Partindo... Amém 🙏", por Rogério Loureiro Xavier
Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.
*"2025 Partindo... Amém 🙏"*
Que eu termine 2025 com o coração em paz, sabendo que fiz o melhor que pude.
Que eu consiga olhar para trás e ver o quanto cresci, mesmo nos dias em que só queria desistir.
Que eu aprenda a me orgulhar dos pequenos passos e das batalhas silenciosas que ninguém viu, mas que me transformaram. Que as falhas não me definam, e sim a coragem de tentar de novo.
Que eu entre no próximo ano carregando menos cobranças, mas paciência comigo e a certeza de que estou construindo algo bonito, mesmo que aos poucos.
*" ✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Legado que Inspira Gerações
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| Beatriz Magalhães |
Dr. Gino, nome que inspira respeito,
Trajetória tecida em ética e saber.
Em cada passo, um compromisso perfeito
Com a vida, a justiça e o bem-fazer.
Incansável guardião da nossa história,
Valoriza a cultura, preserva a memória.
Faz do passado uma viva trajetória
Que ilumina o presente e constrói a glória.
Aos jovens estende a mão e o horizonte,
Semeando sonhos, coragem e direção.
É ponte firme, é farol, é fonte
De esperança, futuro e transformação.
Com olhar humano e palavra sensata,
Constrói caminhos com dedicação.
Seu legado é lição que nunca se apaga:
Servir com amor, verdade e vocação.
Que a vida lhe retribua em serenidade
Tudo o que oferece com nobre coração.
Dr. Gino, sua história é identidade,
Exemplo eterno de inspiração!
Beatriz Magalhães
Princípios para Andar no Mundo em 2026
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| Gino Martins Borges Bastos |
Quando jovem, fui estudar Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro e aprendi os princípios elementares da ciência.
"A vida é passageira..." por Rogério Loureiro Xavier
*"Olá 🖐 pessoa amiga e do bem."*
*"A vida é passageira..."*
*"Hoje estamos aqui, amanhã podemos ser apenas lembranças. Então aproveite cada momento, não gaste tempo com coisas bobas, pois a vida não avisa quando vai acabar."*
*"Infelizmente exitem momentos que o trem da vida para na estação realidade, e pessoas queridas, talentosas e do bem descem... lamentável!"*
*"Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é passageira, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes."*
*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
Francisco Amaro: Travessia, Fé e Natal
Do Atlântico soprou um canto antigo,
das encostas da Terceira, em Ribeirinha,
onde nasceu Francisco, em luz e abrigo,
filho do mar, da fé e da família.
Treze irmãos, pão repartido,
voz de mãe, labor de pai,
e o Bom Jesus, sempre sentido,
como farol que nunca cai.
Veio o tempo da travessia,
janeiro abriu-se em despedida:
Portugal ficou em poesia,
o Brasil tornou-se nova vida.
No Rio plantou seus passos,
na lavoura fez raiz,
e em Casemiro de Abreu, em laços,
fez do trabalho um dom feliz.
Mas nunca calou o canto açoriano:
na Casa dos Açores, irmão e guia,
na Tertúlia, fez-se humano
o som da memória e da alegria.
Quando cantou sua oração,
feito hino ao Bom Jesus amado,
foi o céu em comunhão
tocando um povo abençoado.
Poeta, cantor, memorialista,
voz que reza e coração que escreve,
herdeiro do Padre Melo, artista
que à cultura dá alma e neve.
No Natal, sua estrela é clara:
Espírito Santo em procissão,
Açores, Brasil, Bom Jesus,
três nomes num só coração.
Que o Menino Deus lhe seja abrigo,
como foi o mar em seu partir;
e que a fé, canto antigo,
continue a nos reunir.
Desde 1946, Gráfica Gutenberg: Uma Loja, Muitas Lembranças
Antônio Risério: Pensar o Brasil sem Redução
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| Antônio Risério |
Antônio Risério é daqueles intelectuais que não cabem em prateleiras fáceis. Poeta, antropólogo, ensaísta e pensador público, construiu uma obra marcada pela recusa das simplificações, ideológicas, identitárias ou acadêmicas. Seu pensamento exige fôlego, leitura atenta e, sobretudo, disposição para o dissenso.
Vindo da poesia concreta e profundamente influenciado pela cultura afro-baiana, Risério nunca separou estética de pensamento. Para ele, o Brasil não é um problema a ser resolvido por fórmulas importadas, mas um processo histórico complexo, mestiço, contraditório e criativo. Sua atenção às matrizes africanas da cultura brasileira não se traduz em folclore nem em essencialismo: trata-se de compreender como essas matrizes dialogam com outras tradições na construção de uma civilização singular nos trópicos.
Como antropólogo, Risério enfrenta temas sensíveis, raça, etnia, identidade, violência, política cultural, com uma postura crítica que frequentemente incomoda. Ele rejeita tanto o negacionismo histórico quanto o moralismo simplificador. Em seus textos, a denúncia do racismo convive com a crítica às leituras racializadas que aprisionam o indivíduo em categorias rígidas, como se a experiência humana pudesse ser reduzida a marcadores únicos.
Risério pensa o Brasil como um campo de forças simbólicas, onde linguagem, música, religião e poder se entrelaçam. Por isso, seus ensaios atravessam o candomblé, a literatura, a história urbana, a arquitetura, a política e a cultura pop, sempre com rigor intelectual e independência de pensamento. Não escreve para agradar tribos, mas para provocar reflexão.
Em tempos de polarização ruidosa, Antônio Risério ocupa um lugar raro: o do intelectual que não abdica da complexidade. Sua obra lembra que pensar é, antes de tudo, resistir à tentação do pensamento fácil. E que compreender o Brasil exige mais escuta do que slogans, mais história do que certezas, mais cultura do que dogma.
Ler Risério é aceitar o desconforto como método. É entender que o Brasil não se explica em linhas retas, mas em encruzilhadas.
O Porteiro do Angu
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| Adalto Boechat Júnior |
Um dia, à tarde, adormeci.
E sonhei com Dona Neném, rezadeira daqui da roça, parteira que ajudou minha mãe para que eu viesse ao mundo.
Ela já havia partido em 1998.
No sonho, Dona Neném me entregou uma chave e disse, com a serenidade de quem sabe:
- Essa é a chave do centro espírita.
- Abra as portas e faça uma panela de angu bem grande.
Respondi, meio aflito:
- Eu não sei cozinhar, Dona Neném.
Ela sorriu e ensinou como quem reza:
- Angu não tem segredo. É só mexer pra não empelotar. Não pare de mexer.
Naquela mesma noite, a enchente veio forte aqui na roça.
Água demais, desabrigo, gente sem chão.
Tive que abrir o centro espírita para que as pessoas dormissem.
Não havia mantimento.
O que consegui foi uma sopa de fubá com frango.
Era pouco.
Mas era o possível.
Então compreendi.
Minha missão não é ser o dono da panela, nem o mestre da receita.
Minha missão é ser o porteiro.
Abrir as portas.
Pedir um cadim aqui, um cadim ali.
Mexer o angu.
E mexer sem parar, porque angu cansa, demora a ferver, e se parar, desanda tudo.
Quando o braço cansar, chamo outro para ajudar.
Porque ninguém sustenta sozinho uma panela grande.
Os verdadeiros trabalhadores, porém, são os que vieram antes de mim:
Lina, Vivalde,
Dona Dulcinéia, Seu Norberto,
Cecília Nicolau, Fernando,
Dona Neném
e tantos outros amigos do centro.
Eu sou apenas aquele que abre as portas.
Sinto que essa missão me foi dada por Dona Neném, e eu tenho que cumpri-la.
Toda honra do que acontece ali é de Jesus e de Maria Santíssima.
Eu sou apenas aquele que ainda está à beira do lago de Genesaré, cego, pedindo esmolas do conhecimento.
Pirapetinga: Quando o Café Natalino Salvou a Praça
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| Adalto Boechat Júnior |
Montei um grupo na praça de Pirapetinga.
Assim, simples.
Um chamado manso para a gente se unir num Café da Manhã Natalino.
Confesso: achei que não ia dar em nada.
Deu.
E sobrou.
A mesa nasceu grande, comprida como abraço antigo, farta de bolos, frutas e outras delícias que não vinham só das mãos, mas do coração da comunidade.
Foi bonito de ver.
Foi bonito de viver.
Desejamos bom Natal, felicidade, saúde e muita paz.
Muita.
Porque paz é bem precioso, e desses que não se compra, se cultiva.
E faço questão de registrar, em letra maiúscula da alma:
até as 12 horas, fim do nosso café,
ZERO bebida alcoólica na praça.
Como na cantata.
Sem esse café, a essa mesma hora as mesas já estariam tomadas por beberrões, a praça suja, o chão ferido.
Quando acabou o café, não teve gari.
Não precisou.
Os próprios participantes limparam tudo.
Como quem cuida do que é seu.
Eu não faço isso por vaidade.
Faço porque vi meu irmão, lindo, jovem,
estirado, morto, em plena praça pública.
E vi outros dois corpos,
não na praça, mas nos portões de casa,
ou na beira da água.
Foram três mortes.
Por coisas bobas.
Mínimas.
Um tiro porque o som estava alto.
Outro, sete tiros, porque amou quem não devia aos olhos de quem estava drogado e bêbado.
Outro, uma facada por causa de um peixe.
Tudo jovem.
Tudo evitável.
Tudo sob efeito do álcool, e talvez de algo mais.
Uma vida tem muito valor.
E se eu puder fazer de tudo para que nenhum corpo a mais caia nem na praça nem nos portões de casa, eu vou pedir.
Vou montar grupo.
Vou pedir pra cada um levar um bolo, um pão, uma caixa de som, uma música.
Sou um grão de areia nesse universo.
Mas sou da descendência de Moisés.
E farei o que puder para conduzir meu povo a uma terra melhor, com a ajuda de Deus.
No Ano Novo, a gente pensa em voltar pra praça.
Montar uma ceia.
O padre Francisco entrou na nossa.
Vamos fazer um mesão de novo.
Arroz, strogonoff, refrigerante.
E comprar umas quatro caixas de fogos.
Será a primeira queima de fogos de Ano Novo em Pirapetinga.
Começaremos pequenos: quatro caixinhas.
Quem sabe, um dia, a gente não faz uma linda no Museu da Imagem.
Por ora, basta a praça limpa, a mesa cheia, e ninguém morto.

















































