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| Adalto Boechat Júnior |
Inicio esta crônica com um pensamento da pirapetinguense Iracema Seródio Boechat, que traduz como poucos o sentimento deste lugar:
“Por que dizer adeus, se aqui vou ficar envaidecido com a beleza das paisagens?”
Estou sentado na praça de Pirapetinga de Bom Jesus. A praça daqui é inspiradora. Neste último dia do ano de 2025, tantas lembranças me visitam, como se o tempo tivesse decidido sentar-se ao meu lado.
Há uma calmaria própria do fim de ano, sem fogos estressantes, apenas a espera silenciosa do dia seguinte, quando o banho de cachoeira renova corpo e alma. Sinto quase o cheiro da ceia sendo preparada, e vejo, na memória, as senhoras de bobes no cabelo, antigamente era assim; hoje, estão mais modernas, mas o espírito permanece o mesmo.
As igrejas se preparam para receber seus fiéis: uns agradecem pelo ano que termina, outros pedem bênçãos para o ano vindouro. Há lembranças de quem perdemos no caminho, misturadas à alegria pelos novos membros que chegaram à família. Uns pedem saúde, outros agradecem por tê-la. Mas o fato é que todos carregam no coração uma esperança renovada.
A pracinha, que durante o dia o sol insiste em deixar vazia, à noite se enche de gargalhadas. Gente bronzeada pelos banhos de cachoeira ocupa os bancos, troca histórias, ri alto. Modéstia à parte, nossas cachoeiras são daquelas que ficam para sempre na memória de quem as conhece.
As cores das roupas anunciam desejos: branco para a paz, amarelo para a prosperidade, verde para a esperança, símbolos do que cada um espera para amanhã e para mais 365 dias novos. De um lado, Nossa Senhora das Graças acolhe quem chega a Pirapetinga; do outro, Nossa Senhora Aparecida recebe os filhos da terra, os visitantes e os que sempre retornam.
Esperar uma virada de ano luxuosa em nosso distrito seria pretensão demais. Mas uma coisa é certa: a comunidade se torna mais fraterna, os abraços mais sinceros. Ainda aguardamos as visitas que virão nos ônibus de Bom Jesus e Itaperuna. A ansiedade aumenta, ninguém consegue esperar em casa. Sentados na praça, eu e tantos outros compartilhamos a mesma espera.
Aqui estou, aguardando minhas visitas, observando tantos corações na mesma expectativa. Desejo que este novo ano nos traga muitos motivos para sermos felizes em nossa terrinha natal, lugar pequeno, mas de grande tradição.
E termino esta crônica como a iniciei, repetindo o pensamento de Iracema Seródio Boechat, que parece ter sido feito sob medida para Pirapetinga:
“Por que dizer adeus, se aqui vou ficar envaidecido com a beleza das paisagens?”








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