sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Música Instrumental


 

Sono Profundo


 

A janela por onde a alma vê o mundo

 


Existem dias em que uma palavra nos fere mais do que uma pedra. Ela chega, instala-se no peito e ali permanece, repetida pelo pensamento, mesmo quando quem a pronunciou já seguiu seu caminho. À noite, a casa está quieta, mas dentro de nós a conversa continua.

Na imagem, um imenso olho parece abrir-se entre as estrelas. Abaixo dele, uma figura solitária contempla o horizonte. Diante daquela vastidão, pensamos em como cada um de nós carrega seu próprio céu: lembranças que iluminam, receios que escurecem, saudades que tingem de dourado até os lugares mais simples.

A frase atribuída a Epicteto convida a olhar também para dentro. O que contamos a nós mesmos depois de uma decepção? Que fomos feridos naquele instante ou que jamais seremos amados? Que uma tentativa fracassou ou que todos os caminhos se fecharam?

Entre essas perguntas cabe uma vida inteira.

A chuva cai sobre a cidade. Alguém corre para recolher a roupa do varal; alguém se alegra com a terra molhada; alguém, junto à janela, recorda uma tarde da infância. A água é a mesma, mas encontra histórias diferentes em cada coração.

Também nós mudamos. Uma rua que ontem parecia triste pode amanhecer cheia de ternura depois de uma notícia boa. O banco vazio da praça pode doer pela ausência de alguém e, em outro dia, acolher a lembrança de sua risada. Aos poucos, aprendemos a permanecer ali, sem fugir da saudade, deixando que ela nos devolva alguma coisa do amor vivido.

Existem dores que exigem tempo, cuidado, companhia. Nenhum pensamento as dissolve por encanto. Mas podemos tratar com delicadeza a pessoa que nos tornamos enquanto atravessamos essas dores. Podemos evitar que uma perda nos convença de que nada mais frutificará; que uma palavra cruel se transforme na medida do nosso valor.

Talvez a serenidade comece assim, numa conversa mais bondosa conosco. Num instante em que respiramos antes de concluir o pior. Num dia em que abrimos a janela, embora o peito ainda esteja pesado.

O viajante da imagem permanece diante do horizonte. O sol surge devagar, iluminando primeiro uma borda das nuvens, depois outra. Ele ainda tem montanhas pela frente. Contudo, já consegue enxergar onde colocar o próximo passo.

E há manhãs em que isso basta para que a esperança volte a caminhar conosco.

Melody Letters


 

A7MA


 

Muchacho e Francisco Amaro: duas vozes de carinho para o Maestro Nilo

 

Existem homenagens que parecem chegar pela rua, junto com o som de uma banda. Antes que terminemos de ler, já escutamos alguma coisa dentro de nós: uma lembrança de infância, o despertar de uma manhã de festa, a alegria de abrir a janela para ver a música passar.

Assim chegam as duas homenagens dedicadas ao Maestro Nilo Rodrigues de Oliveira, por seus 93 anos de vida: a bela imagem acompanhada de uma mensagem amorosa de seu filho Eliton de Souza Polverini, conhecido como Muchacho, e a poesia do açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves. Dois gestos de carinho que se encontram como instrumentos de uma mesma banda, cada qual com sua voz, unidos pela gratidão.

Na imagem preparada por Muchacho, o rosto do pai ilumina a homenagem. As palavras celebram sua dedicação, seu compromisso e seu amor pela música, reconhecendo a marca inesquecível que deixou na Lira Operária Bonjesuense e na comunidade de Bom Jesus do Itabapoana. Ao desejar saúde, alegria e a bênção de Deus junto à família e aos amigos, o filho oferece ao pai um abraço escrito. Em cada palavra, sente-se o afeto de quem encontra, naquela vida, uma parte essencial da própria história.

A poesia de Francisco Amaro prolonga esse abraço e leva a Lira para perto do leitor. A alvorada ganha som, a rua ganha movimento, e Bom Jesus se deixa reconhecer nessa emoção tão sua: acompanhar uma banda com os olhos, enquanto o coração segue adiante.

“A Lira passa, a gente escuta”, escreve Francisco Amaro. Na simplicidade desse verso, cabe uma experiência inteira. A música vem ao nosso encontro, alcança quem estava distraído, demora um pouco à porta de uma casa, chama alguém à janela. E, por alguns instantes, pessoas com preocupações tão diferentes compartilham a mesma melodia.

À frente dessa passagem sonora, o poeta coloca o “Mestre Nilo Relojoeiro”, regendo com sua batuta. É uma imagem de rara beleza. O ofício e a música se encontram no nome pelo qual o maestro é carinhosamente lembrado. Podemos imaginar a delicadeza necessária para cuidar de um relógio e a atenção exigida para conduzir uma banda: ouvir, perceber o menor descompasso, dar a cada movimento o seu momento.

No meio do relógio e a batuta, o tempo adquire outra dimensão. Há o tempo contado pelas horas e aquele que guardamos pela emoção. Uma manhã distante pode voltar inteira quando ouvimos uma melodia. Um rosto querido pode reaparecer na lembrança ao som de uma banda. E aquilo que parecia perdido encontra, de repente, um caminho de volta.

A homenagem de Muchacho e a poesia de Francisco Amaro nos convidam a sentir essa permanência. Ao celebrar Nilo Rodrigues de Oliveira, reconhecem a presença de um homem na vida musical de sua comunidade. A batuta, evocada nos versos, torna-se também um gesto de encontro: reúne os músicos, conduz a execução e oferece à cidade uma beleza que todos podem receber e levar consigo.

Os 93 anos dão à celebração a grandeza de uma longa caminhada. São anos que a homenagem acolhe com respeito e ternura, enquanto a música ajuda a dizer o que os números, sozinhos, jamais poderiam expressar. No sorriso do maestro, no carinho do filho e nos versos do poeta, o aniversário ganha a intimidade de uma festa em família e a ressonância de uma alegria compartilhada pela cidade.

Nas últimas linhas, Francisco Amaro confessa a dificuldade de encontrar uma maneira de agradecer. Talvez seja essa a parte mais comovente do poema. Dar parabéns é possível; expressar tudo o que uma pessoa representa exige procurar palavras onde a emoção quase sempre chega primeiro.

O poeta encontra essas palavras no afeto. Sua poesia tem a proximidade de quem deseja falar olhando nos olhos, com a sinceridade de um reconhecimento que não precisa de cerimônia para ser profundo. Muchacho, por sua vez, encontra na imagem e na mensagem um modo de envolver o pai em carinho. Juntas, as duas homenagens oferecem aos bonjesuenses a oportunidade de reconhecer o valor de uma vida ligada à música que acompanha suas lembranças.

E assim, enquanto a Lira passa pelos versos, alguma coisa permanece.

Permanece o carinho pelo Maestro Nilo. Permanece o abraço de Muchacho. Permanece a gratidão de Francisco Amaro. Permanece essa delicada certeza de que uma cidade também guarda sua história naquilo que escuta.

O relógio segue marcando as horas. A batuta encontra, na poesia, um modo de prolongar a música. E Bom Jesus, tocada por essas homenagens, abre mais uma vez a janela, como quem reconhece, ao longe, uma melodia querida e deseja que ela demore um pouco mais.

Parabéns pelos 93 anos, Maestro Nilo! Que Deus lhe conceda saúde, alegria e muitos dias cercados pelo amor de sua família e de seus amigos. Que o carinho que hoje chega até o senhor tenha a beleza de uma alvorada da Lira: dessas que despertam a cidade e continuam tocando, por muito tempo, dentro do coração.


Parabéns, Maestro Nilo! 

Francisco Gonçalves 


Vem lá do Noroeste Fluminense 

Um belo som, em plena Alvorada 

Música, composição tocada 

P'la Lira Operária Bonjesuense


A Lira passa, a gente escuta 

Há sempre um bom sentir prazenteiro 

E o Mestre Nilo Relojoeiro, 

Regendo com sua batuta


PARABÉNS não é difícil de dar 

Pelo aniversário e tudo aquilo 

Que em sua vida tem feito brilhar


Difícil é encontrar maneira 

De agradecer ao Maestro Nilo, 

D. NILO RODRIGUES DE OLIVEIRA.

I CHESS CLÁSSICO ITAPERUNA: 7 e 8 de novembro

 



Sindarov fala sobre a ascensão do Uzbequistão como potência mundial do xadrez



O grande mestre (GM) Javokhir Sindarov refletiu sobre a ascensão do Uzbequistão como potência mundial do xadrez e destacou que a conquista de Rustam Kasimdzhanov no Campeonato Mundial de 2004 inspirou muitos jovens jogadores do país.

Sindarov recordou que, naquela época, o xadrez recebia muito menos atenção, e a falta de recursos dificultava a participação dos jovens em competições internacionais.

“Antigamente, não se dava tanta atenção ao xadrez no nosso país. Não podíamos viajar frequentemente para competições. Até as passagens exigiam dinheiro”, afirmou, em entrevista a Alisher Sadullayev.

O enxadrista revelou que, diante dessas dificuldades, chegou a considerar uma mudança de federação.

Hoje, porém, Sindarov afirma sentir orgulho de representar o Uzbequistão, que conquistou recentemente seu segundo título na Olimpíada de Xadrez, disputada em Samarcanda, em seu próprio território.

Uzbequistão: a nova pátria do xadrez mundial!


 

Doo Wop


 

ALTO NOROESTE DO RIO DE JANEIRO NOVAMENTE ENTRE OS DESTAQUES NACIONAIS!

 


A ACEAN, Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Alto Noroeste do Estado do Rio de Janeiro parabeniza, com muito orgulho, os produtores  Cristiano de Oliveira, do Café Morro da Máquina, de Varre-Sai/RJ; Fábio Alves, do Café Dois Irmãos, de Santa Clara – Porciúncula/RJ e Fidelis Rodolphi, do Sítio Vai e Volta, de Varre-Sai/RJ, por estarem entre os 100 melhores cafés especiais do Prêmio Terra Brasil Café, promovido pelo Arábica Coffee Festival, um concurso nacional de cafés de qualidade.

Essa conquista é motivo de grande celebração para toda a nossa região. Ela demonstra, mais uma vez, que o Alto Noroeste do Rio de Janeiro produz cafés especiais de excelência, fruto da dedicação, do conhecimento, do cuidado com a lavoura e, sobretudo, da paixão dos nossos cafeicultores.

Cada reconhecimento nacional alcançado por nossos produtores fortalece não apenas suas propriedades, mas todo o território do Alto Noroeste do Rio de Janeiro, mostrando ao Brasil e ao mundo o potencial, a qualidade e a identidade dos nossos cafés.

"Recebemos essa conquista com muita alegria e orgulho. Ter três produtores do Alto Noroeste entre os 100 melhores cafés especiais de um concurso nacional demonstra a força e a qualidade da nossa cafeicultura. Fábio, Cristiano e Fidelis representam centenas de produtores que, com dedicação, conhecimento e perseverança, vêm construindo uma nova história para o café da nossa região. A ACEAN se orgulha de caminhar ao lado dos produtores e de contribuir para que o nosso café seja cada vez mais conhecido, reconhecido e valorizado. Parabéns aos três produtores e a todos os cafeicultores do Alto Noroeste do Rio de Janeiro, que fazem da nossa região um verdadeiro Paraíso dos Cafés Especiais.”

Parabéns, Fábio Alves, Cristiano de Oliveira e Fidelis Rodolphi!

Parabéns também a todos os produtores do Alto Noroeste do Rio de Janeiro, que diariamente trabalham para colocar nossa região entre os grandes territórios produtores de cafés especiais do Brasil.

ACEAN

Produtores organizados, cafés especiais reconhecidos.

Cine Monte Líbano: nas mãos de um visionário, a memória começa a despertar

 


Existem fotografias que registram mais do que uma paisagem. Na imagem do Monte Líbano, a caçamba diante do prédio e os materiais na calçada anunciam algo que o coração bonjesuense há muito desejava: o começo de um reencontro. Sob as letras que atravessaram décadas no alto da fachada, a esperança já tem sinais concretos.

Na quarta-feira, 30 de setembro, o Dr. Carlos Henrique Medeiros, sócio-proprietário da UniFAMESC, recebeu as chaves do Cine Monte Líbano e imediatamente deu início às obras de restauro. Entre receber as chaves e colocar o sonho em movimento, não deixou que o tempo se perdesse. Seu dinamismo trouxe à cidade essa alegria tão especial de ver uma promessa começar a ganhar corpo.

Uma chave cabe na palma da mão. Mas há chaves que carregam o peso e a beleza da história de um povo. As do Cine Monte Líbano abrem também as lembranças de quem ali se emocionou diante de uma tela, ouviu música, encontrou amigos ou guardou, no silêncio de uma sessão, o primeiro segredo de amor.

Ao recebê-las, o Dr. Carlos Henrique assumiu a possibilidade de devolver vida a um lugar que permanece profundamente vivo na memória de Bom Jesus do Itabapoana.

Ele pertence àquela estirpe rara de pessoas visionárias que pensam grande e agem de modo grandioso. Pessoas capazes de olhar para uma construção antiga e perceber tudo o que ainda pode frutificar dentro dela. Seu gesto revela disposição para realizar, coragem para investir e sensibilidade para reconhecer que o futuro de uma cidade também se constrói com o cuidado dedicado à sua história.

O Monte Líbano guarda muitas camadas desse afeto. Guarda o sonho de Merhige Hanna Saad, os encontros de gerações, a emoção do cinema e a presença de tantos bonjesuenses que fizeram daquele espaço uma extensão de suas próprias vidas. Restaurá-lo é tocar, com respeito, essas lembranças; é preparar uma casa onde novas gerações poderão construir as suas.

Com a atuação do Dr. Carlos Henrique e da UniFAMESC, Bom Jesus vive um momento magnífico de desenvolvimento econômico e vê crescer a esperança de fortalecimento de sua vida cultural e de valorização de seu patrimônio histórico. Educação, trabalho, memória e arte podem caminhar juntos, ampliando as possibilidades de uma cidade que tem tanto a oferecer.

Por isso, os primeiros sinais da obra comovem. Há poesia nessa movimentação. Cada material colocado à porta parece trazer um recado ao velho cinema: a cidade ainda precisa de você. Ainda há histórias a contar, talentos a acolher, encontros a celebrar.

Talvez quem passe hoje diante do Monte Líbano diminua o passo e levante os olhos até seu nome. Talvez se lembre de alguém, de um filme, de uma noite que parecia esquecida. E, ao perceber que o restauro começou, leve consigo uma alegria nova: a de saber que aquela lembrança poderá encontrar abrigo no amanhã.

Nas mãos de um visionário, as chaves recebidas na quarta-feira já começaram a abrir esse caminho.

E Bom Jesus acompanha, emocionada, o despertar de uma parte preciosa de sua alma.

Dr Carlos Henrique Medeiros 


UniFAMESC e Monte Líbano: onde Ismélia Saad e o ex-governador Roberto Silveira comemoraram o casamento


Monte Líbano: as paredes que guardam um amor e o amanhã de Bom Jesus



O edifício Monte Líbano é um dos prédios que atravessam os anos como quem guarda uma chama entre as mãos. Recebe a chuva, o sol, o silêncio, as mudanças da cidade e permanece. Dentro dele, o tempo deixa vozes, passos, esperanças. O edifício Monte Líbano, em Bom Jesus do Itabapoana, é um desses lugares em que a memória ainda respira.

Antes de pertencer às lembranças de tantas gerações, aquele prédio pertenceu a um sonho. Um sonho que trazia, no próprio nome, a distância e a saudade de outra terra. O libanês Merhige Hanna Saad ajudou a escrever sua história em Bom Jesus, onde constituiu família com Alzira Sauma Saad. E, em 1951, o Monte Líbano recém-construído abriu suas portas para a recepção do casamento de sua filha Ismélia com Roberto Silveira, que mais tarde seria governador do Estado.

Naquele dia, chovia muito.

A chuva foi tanta que impediu a chegada, a tempo, do fotógrafo que vinha do Rio de Janeiro. Não ficaram as fotografias da cerimônia e da festa. Restou um pequeno filme feito por Badger Silveira, e, sobretudo, a lembrança de quem viveu aquela felicidade.

É comovente pensar nisso: um acontecimento tão importante para aquela família e para a história bonjesuense sem o álbum que permitiria às gerações futuras percorrer os rostos, os abraços, os detalhes. Por isso o relato de Ismélia se tornou ainda mais precioso. Suas palavras nos dão o que a chuva não deixou fotografar.

No dia 19 de abril de 2014, o jornal O NORTE FLUMINENSE realizou uma entrevista histórica com a saudosa viúva de Roberto Silveira. O encontro aconteceu no palacete da Praça Governador Portela onde seus pais haviam vivido na década de 1950. Ali, onde a vida familiar também se entrelaçou à vida pública, funcionara a sede do governo estadual durante uma semana das Festas de Agosto de 1959 e de 1960, quando Roberto vinha a Bom Jesus acompanhado de sua comitiva.

Mas, naquela entrevista, a história abriu espaço para algo mais íntimo: a recordação de um amor.

E tudo começou com cadeiras na calçada.

Merhige e Alzira conversavam com Boanerges e dona Biluca, pais de Roberto. As famílias eram vizinhas, e a convivência tinha a simplicidade dos encontros à porta de casa. Enquanto os adultos partilhavam as horas, dona Biluca alimentava uma esperança e dizia ao filho que a vizinha era gente boa.

O destino, porém, demorou a apresentar os dois. Ismélia estudava num internato de freiras em Campos; Roberto morava em Niterói. As férias dela e as visitas dele pareciam desencontrar-se de propósito.

Até que veio um baile da Rainha da Festa de Agosto, no antigo Colégio Pereira Passos, hoje Colégio Estadual Governador Roberto Silveira.

Roberto a convidou para dançar. Entre um passo e outro, perguntou sua idade, quis saber se tinha namorado e anunciou que pediria ao pai dela autorização para namorá-la. Ismélia se assustou. Na lembrança daquele diálogo, ainda podemos perceber a moça de dezessete anos, que não informara a idade, dividida entre a alegria do encontro e o receio da reação paterna.

Depois vieram as cartas, entregues por intermédio de Déia Tavares, e as conversas pelo posto telefônico de Inah Borges, marcadas com antecedência. Era preciso esperar para ouvir a voz amada. Era preciso confiar a saudade ao papel.

Na primeira resposta, Ismélia pediu ajuda à tia Alvina. Roberto percebeu e escreveu que havia gostado da carta, mas desejava que, na próxima, ela mesma escrevesse. Queria encontrar, naquelas linhas, a voz de Ismélia.

O noivado foi celebrado com guaraná e bombons Sonho de Valsa, os favoritos de Boanerges. A delicadeza desse detalhe sobrevive aos anos: uma família reunida, uma taça servida, um doce escolhido com carinho. A grande história também se faz dessas pequenas ternuras.

E então chegou o casamento. Chegou a chuva. Chegou a festa no Monte Líbano.

Hoje, ao sabermos que o prédio foi adquirido pela UniFAMESC, sentimos que uma nova esperança atravessa suas portas. É magnífico o gesto de uma instituição de ensino que investe na cultura e no resgate da grande história de Bom Jesus do Itabapoana. Há uma profunda responsabilidade nesse encontro entre educação e memória: oferecer às novas gerações a oportunidade de conhecer o chão em que vivem, os sonhos que receberam e as pessoas que os tornaram possíveis.

Naqueles espaços, o aprendizado poderá ganhar a companhia da emoção. Um jovem poderá descobrir que ali se celebrou o casamento de Ismélia e Roberto. Poderá imaginar as cartas, o baile, as famílias na calçada. E compreender que os nomes inscritos na história foram também pessoas que esperaram uma resposta, sentiram saudade e sonharam com uma vida a dois.

O Monte Líbano merece esse reencontro com a cidade. Merece portas abertas, vozes, música, cultura. Merece que sua história seja contada com o cuidado de quem recebe uma herança preciosa e deseja entregá-la viva aos que virão.

A chuva de 1951 impediu as fotografias, mas não apagou a festa. Décadas depois, Ismélia ainda a guardava consigo.

Agora, Bom Jesus tem diante de si a possibilidade de guardar e renovar essa memória. Que o gesto da UniFAMESC frutifique em conhecimento, encontros e realizações. Que o velho prédio volte a acolher os sonhos de sua gente.

E que, ao entrar no Monte Líbano, cada bonjesuense possa sentir a emoção de chegar a um lugar onde o passado ainda nos reconhece, e onde o futuro começa a encontrar morada.

Edifício Monte Líbano construído pelo libanês Merhige Hanna Saad


Palacete onde viveram o libanês Merhige Hanna Saad e sua esposa, Alzira Sauma Saad, local da entrevista histórica 


Marian Saad Sauma, Maria Cristina Saad Gomes, Olga Borges Saad, André Luiz Ribeiro, Gino Martins Borges Bastos e Ismélia Saad Silveira, viúva do governador Roberto Silveira: entrevista histórica para O NORTE FLUMINENSE, no dia 19 de abril de 2014


Bossa Nova de Cafeteria


 


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Música Instrumental


 

BEAUTY OF THE WORLD!


 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

O Uzbequistão Recompensa os Seus Heróis do Xadrez!


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O Uzbequistão homenageou os seus campeões após a sua vitória histórica na 46.ª Olimpíada de Xadrez da FIDE de 2026, em Samarcanda. Cada membro da equipa Open vencedora da medalha de ouro - Nodirbek Abdusattorov, Javokhir Sindarov, Nodirbek Yakubboev, Shamsiddin Vokhidov e Mukhiddin Madaminov - receberá 200 000 dólares, uma casa e um Volkswagen Teramont Pro.

​O Estado também distinguiu os jogadores com honras nacionais. Javokhir Sindarov recebeu a Ordem "Fidokrona xizmatlari uchun", enquanto Nodirbek Abdusattorov, Nodirbek Yakubboev e Shamsiddin Vokhidov foram nomeados "Atletas Homenageados da República do Uzbequistão". Mukhiddin Madaminov recebeu o título "Oʻzbekiston iftixtori" (Orgulho do Uzbequistão).

​A equipe de para-xadrez medalha de bronze - Kimsanboev, Shayusupov, Zaynidinov, Mamarajabov e Kakishova - receberá cada um 50 000 dólares, uma casa e um carro. Todos os cinco também foram galardados com a Ordem "Mardlik" (Coragem).

​Os treinadores Rustam Kasimdzhanov e Samandar Shermuhammadov receberam cada um um carro e o título de "Treinador Desportivo Homenageado da República do Usbequistão".

​Uma forma notável de celebrar os campeões de xadrez do Uzbequistão! 


Os prêmios concedidos aos campeões de xadrez do Uzbequistão

 

O gesto mais fecundo de um país é este: colocar um tabuleiro diante dessa criança e oferecer-lhe tempo, orientação e confiança


O valor de uma mente, o futuro de um povo


O aplauso precisa chegar também à sala onde faltam peças, ao professor que trabalha sem apoio, ao jovem que não consegue viajar para um torneio. É fácil abraçar o vencedor diante das câmeras. Mais difícil é acompanhar o aprendiz quando ele ainda perde, hesita e precisa de alguém que lhe diga: continue


Quantos talentos permanecem à espera de uma oportunidade modesta? Às vezes, bastariam uma sala aberta, alguns livros, um instrutor e a continuidade de um projeto. Há vocações que se apagam por falta de tão pouco, enquanto tanto se gasta com celebrações passageiras


Na imagem, as medalhas repousam sobre o peito dos enxadristas como pequenos sóis. Atrás deles, as bandeiras; à frente, o anúncio de dinheiro, casa e automóvel. A mensagem é clara: o talento merece reconhecimento, e a inteligência também pode levar um povo às ruas para celebrar.

Mas o que mais comove nessa cena é imaginar o caminho anterior ao brilho: o menino curvado sobre um tabuleiro, a partida perdida que lhe roubou o sono, o professor paciente, a família que acreditou quando a vitória ainda não tinha nome.

Uma medalha aparece na fotografia. Os anos que a tornaram possível permanecem fora do enquadramento.

É aí que nasce a pergunta incômoda: quanto vale a inteligência antes de vencer?

A homenagem aos campeões pode acender milhares de sonhos. Uma criança vê aqueles jogadores e descobre que também existe grandeza no silêncio, na concentração, no esforço de compreender uma posição. Aprende que pensar pode ser uma aventura e que um tabuleiro cabe dentro das maiores esperanças.

Entretanto, o aplauso precisa chegar também à sala onde faltam peças, ao professor que trabalha sem apoio, ao jovem que não consegue viajar para um torneio. É fácil abraçar o vencedor diante das câmeras. Mais difícil é acompanhar o aprendiz quando ele ainda perde, hesita e precisa de alguém que lhe diga: continue.

Essa reflexão alcança o Brasil e chega às nossas cidades. Quantos talentos permanecem à espera de uma oportunidade modesta? Às vezes, bastariam uma sala aberta, alguns livros, um instrutor e a continuidade de um projeto. Há vocações que se apagam por falta de tão pouco, enquanto tanto se gasta com celebrações passageiras.

O reconhecimento anunciado na imagem tem força simbólica. Mas sua promessa mais bonita será cumprida se o brilho dessas medalhas alcançar quem ainda está aprendendo a mover um peão.

Porque uma política de valorização do xadrez precisa sobreviver à fotografia. Precisa estar presente na manhã seguinte, quando o salão se esvaziar e uma criança voltar à escola trazendo uma pergunta, um sonho e a vontade de jogar.

O gesto mais fecundo de um país é este: colocar um tabuleiro diante dessa criança e oferecer-lhe tempo, orientação e confiança.

Então, antes mesmo da primeira medalha, alguma coisa já terá sido conquistada.

 


Café Cesarino une Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana em símbolo de identidade regional




Varre-Sai e Bom Jesus: separadas no mapa, unidas pela história








Dois municípios unidos pelos caminhos do café

Uma embalagem de café pode contar muito mais do que a história do produto que traz em seu interior. É o que sugere a apresentação do Café Cesarino, que destaca os nomes de Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana, transformando um dos principais símbolos da economia regional em expressão da proximidade histórica, cultural e afetiva entre os dois municípios do Noroeste Fluminense.

A referência conjunta chama a atenção porque traduz uma realidade construída ao longo de gerações. Embora administrativamente separadas, Varre-Sai e Bom Jesus mantêm relações permanentes por meio do comércio, dos laços familiares, do trabalho, da produção rural, das manifestações religiosas e culturais e da circulação cotidiana de seus moradores. As fronteiras municipais existem nos mapas; na vida diária, entretanto, são constantemente atravessadas por vínculos muito mais antigos e profundos.

Varre-Sai consolidou-se como um importante  território produtor de café, a Capital Estadual do Café, atividade profundamente associada à presença da imigração italiana e à formação econômica e cultural do município. Bom Jesus do Itabapoana, por sua vez, desempenha historicamente o papel de referência comercial e de prestação de serviços para comunidades de toda a região. São vocações distintas que, em vez de afastarem as duas cidades, ajudam a explicar sua complementaridade.

Café, história e afeto unem Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana

Nesse contexto, o Café Cesarino adquire também um significado simbólico. As cores da bandeira italiana presentes na embalagem remetem às raízes de uma comunidade que fez do trabalho na terra parte de sua identidade, enquanto a associação dos nomes de Varre-Sai e Bom Jesus evidencia uma integração regional que ultrapassa os discursos institucionais e se manifesta concretamente nas relações entre seus habitantes.

A iniciativa permite, ainda, uma reflexão sobre o próprio desenvolvimento do Noroeste Fluminense. Municípios pequenos e próximos têm muito mais a ganhar com a cooperação do que com a competição. Turismo, agricultura, cultura, patrimônio histórico, comércio e eventos regionais constituem áreas em que ações conjuntas podem fortalecer não apenas duas cidades, mas toda uma região.

Aí está a mensagem mais interessante dessa imagem. O café nasce da terra, mas também pode promover encontros. Neste caso, uma simples embalagem parece registrar aquilo que a população já sabe há muito tempo: Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana possuem histórias próprias, identidades fortes e autonomia, mas compartilham caminhos, famílias, trabalho e esperanças.

No mapa, uma divisa determina onde termina um município e começa o outro. Na história regional, porém, Varre-Sai e Bom Jesus continuam escrevendo muitas páginas juntos.

A história de Cesário Degli Esposti

A história de Cesário Degli Esposti, o “Sô Cesarino”, parece ter sido escrita na mesma terra escura em que floresceram os cafezais da região. Nascido na Itália, em 20 de abril de 1895, atravessou o oceano ainda jovem, acompanhado dos pais, trazendo na pequena bagagem de imigrante aquilo que não ocupava espaço nos navios: esperança, coragem e disposição para o trabalho.

Na parte alta de Bom Jesus do Itabapoana, sua família encontrou o chão onde lançaria raízes. Ali, Cesário uniu sua vida à de Ernestina Boldrim, constituiu numerosa família e criou dez filhos entre as lavouras de café. Viveu 91 anos, tornando-se testemunha de uma época em que os braços dos imigrantes ajudaram a desenhar a paisagem econômica, social e humana do interior fluminense.

As décadas passaram e novas gerações chegaram, mas certas raízes recusam-se a desaparecer. O café que um dia sustentou as mãos calejadas de Sô Cesarino reaparece agora como memória transformada em produto e registrada em uma embalagem pelas mãos de seu bisneto, Luis Miguel Menezes Degli Esposti, filho da consagrada escritora e historiadora varre-saiense Isabel Menezes.

O Café Cesarino como símbolo de integração regional

Há algo profundamente poético nesse reencontro: um italiano atravessou o Atlântico em busca de um futuro e, mais de um século depois, seu descendente retorna simbolicamente àquelas lavouras para colher o passado. Cada grão torna-se, assim, uma pequena cápsula de memória familiar: lembrança dos imigrantes que fizeram da terra estrangeira sua pátria, do suor transformado em pertencimento e dos filhos, netos e bisnetos que aprenderam que cultivar café também pode significar cultivar a própria história.



VÍDEO: Um piano em Roma, um coração em Bom Jesus

 

Anderson Nunes: um bonjesuense, um piano e o mundo


(Com informações de Alba Travassos) 




O aeroporto estava vazio. Anderson Nunes aguardava o voo para o Rio de Janeiro quando encontrou, diante de um piano, uma maneira de encurtar a distância de casa.

Sentou-se e tocou Carinhoso, de Pixinguinha.

As primeiras notas se espalharam pelo espaço silencioso, dando àquela espera uma delicadeza inesperada. No meio de partidas e chegadas, onde tantas pessoas costumam passar apressadas, um bonjesuense oferecia à noite romana um pouco da alma brasileira.

Anderson Nunes, irmão de Anselmo Nunes, rosalense da Lira 14 de Julho, neto dos saudosos Francisco Nunes e Amélia Rezende Nunes, dava seu recado com a eloquência das mãos. O talento encontrava nas teclas seu caminho, e a música parecia saber, melhor que qualquer mapa, como nos levar de volta aos lugares que amamos.

Era como se Bom Jesus do Itabapoana e Rosal estivessem ali.

Podíamos imaginar nossas ruas chegando devagar àquele aeroporto, as montanhas de Rosal se desenhando além das vidraças, as lembranças das bandas e de suas melodias ocupando o silêncio. A cada frase musical, a terra natal parecia ganhar presença. Roma ficava mais perto de Bom Jesus; o Brasil inteiro cabia ao redor daquele piano.

Existem melodias que nos acompanham como pessoas queridas. Basta ouvi-las para reconhecer alguma coisa de nós: uma saudade antiga, um rosto amado, a ternura que nem sempre conseguimos dizer. Carinhoso tem esse dom. Sua beleza atravessa os anos e continua encontrando, em cada coração, um lugar onde pousar.

Nas mãos de Anderson, a canção ganhava a emoção daquele instante: um brasileiro longe de casa, um voo ainda por chegar, um piano disponível e tanto sentimento para repartir.

Mesmo num aeroporto vazio, havia companhia. Estavam ali, na memória de quem tocava e na emoção de quem o ouvisse, os afetos que nenhuma viagem deixa para trás.

Tinha que ser bonjesuense, com todo esse talento!

A exclamação nasce desse orgulho bom de reconhecer alguém da nossa terra levando beleza ao mundo. Anderson tocava, e nós, daqui, podíamos sentir que também participávamos daquele momento. Um pouco de nossa história vibrava nas cordas do piano; um pouco de nossa saudade encontrava voz.

Depois, chegaria a hora do embarque. Anderson seguiria para o Rio de Janeiro. Mas é bonito imaginar que alguma coisa ficou naquele aeroporto: a última nota demorando no silêncio, o eco de uma melodia brasileira, a delicadeza de um encontro que ninguém havia marcado.

Por alguns minutos, enquanto as mãos de Anderson percorriam as teclas, Bom Jesus e Rosal estiveram em Roma.

E o caminho de volta para casa começou antes mesmo de o avião levantar voo.


Mestre Daniel de Lima e André, do Kafé Kintal: um encontro entre arte e sabor

 

Existe um modo de segurar uma xícara que já anuncia o acolhimento. Um gesto pequeno, delicado, capaz de nos convidar a ficar, conversar e descobrir a beleza de um encontro.

Na quarta-feira passada, a Casa da Cultura de Rio das Ostras viveu um desses momentos que merecem permanecer na memória. Era o encerramento do primeiro mês de aulas de cerâmica com o Mestre Artesão Daniel de Lima, que conduz duas turmas, uma pela manhã e outra à tarde.

Durante aquele mês, mãos se aproximaram do barro para aprender uma linguagem antiga. No meio de tentativas, descobertas e formas que surgiam aos poucos, os alunos puderam experimentar a alegria de criar. Cada peça começava com um movimento, uma escolha, um cuidado. E aquilo que antes era apenas uma porção de argila passava a guardar a marca de alguém.

O barro ensina a respeitar o tempo.

É preciso tocá-lo, perceber sua resistência, compreender seus limites. Há momentos de insistir e momentos de suavizar as mãos. Nesse aprendizado, também vamos descobrindo algo sobre nós: a paciência que ainda podemos cultivar, a coragem de recomeçar, a satisfação de ver uma ideia adquirir forma.

Para celebrar esse primeiro mês, esteve presente André Gonzaga de Oliveira, proprietário do Kafé Kintal, que levou seus produtos para os alunos, numa parceria com o Mestre Daniel de Lima. Kafé Kintal é um projeto que une a excelência do café artesanal com a arte do barro, a cultura local e vivências terapêuticas. O encontro ganhou, assim, o encanto de uma mesa preparada com atenção.

Na fotografia que ilustra a abertura da matéria, André segura uma pequena xícara branca e dirige a ela um olhar cuidadoso. Ao redor, outras xícaras aguardam sobre seus pires. Os pacotes de café, os pequenos copos e a toalha com desenhos de folhas e frutos compõem um convite silencioso à convivência.

Diante daquela cena, é bonito pensar na proximidade entre a cerâmica e o café.

A terra participa de ambos. De um lado, oferece o barro que as mãos transformam; de outro, sustenta a planta que dará seus frutos. Há trabalho, espera e conhecimento em cada caminho. Até que, sobre uma mesa, esses caminhos se encontram: uma xícara recebe o café, e alguém a oferece a outra pessoa.

Quantas histórias podem começar assim!

O aroma do café tem o dom de abrir portas dentro da memória. Faz voltar uma cozinha antiga, a água aquecendo no fogão, uma voz querida perguntando se queremos mais um pouco. Lembra o pão repartido, a cadeira puxada para perto, a conversa que se prolongava porque ninguém desejava ir embora.

Na Casa da Cultura, esse sentimento de acolhimento acompanhou a celebração do aprendizado. Podemos imaginar a alegria de conversar sobre as primeiras experiências com a argila, recordar uma dificuldade vencida, compartilhar a expectativa pela próxima peça. O café oferecia uma pausa para saborear também o que havia sido construído juntos.

Há uma beleza particular nesses encontros: o trabalho de um artesão se aproxima do trabalho de outro, e a comunidade recebe os frutos dessa parceria. Daniel de Lima partilha seu saber. André leva seus produtos. Os alunos trazem curiosidade, dedicação e a disposição de aprender. Cada presença acrescenta alguma coisa à mesa.

E essa história já prepara seus próximos capítulos. As inscrições para as novas turmas estão abertas, com grande procura. Outras mãos chegarão ao barro, outras ideias começarão a nascer, outras pessoas descobrirão a alegria de criar na Casa da Cultura de Rio das Ostras.

Talvez algumas cheguem acreditando que vão aprender apenas a modelar uma peça. E encontrem, ao longo das aulas, uma amizade, uma confiança renovada, um tempo precioso para si mesmas.

Enquanto isso, fica a lembrança daquela quarta-feira: o primeiro mês celebrado, o cuidado do mestre, a presença generosa de André e as xícaras reunidas sobre a mesa.

No meio do barro e do café, o carinho ganhou forma. E havia lugar para todos.















 

Sou do bem sempre voltado para a paz, prosperidade e felicidade, por Rogério Loureiro Xavier

 



*Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.*


*Sou do bem sempre voltado para a paz, prosperidade e felicidade.* 


*"Sou Arte e Alma de um Poeta Sonhador."*


*Boas Lembranças, Muitas Histórias!*


*"Se é prazeroso, tô dentro... Recordar lindos momentos é viver glorificado... Eu Adoro Viver!"*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

UniFAMESC e Monte Líbano: um encontro entre memória e esperança

 

Cine Monte Líbano: as chaves do passado abrem as portas do amanhã


Gino Martins Borges Bastos, o prefeito Paulo Sérgio Cyrillo e o dr. Carlos Henrique, sócio-proprietário da UniFAMESC



Quando o libanês Merhige Hanna Saad inaugurou o Cine Monte Líbano, em 14 de agosto de 1950, talvez não pudesse imaginar a extensão do sonho que entregava a Bom Jesus do Itabapoana.

Naquela noite inaugural, enquanto as luzes se apagavam e o clarão do projetor atravessava a sala escura, começava uma história de amor entre um povo e a cultura. Uma história feita de filmes, espetáculos, músicas, encontros, namoros, aplausos e sonhos.

Merhige talvez não imaginasse que, 76 anos depois, seu nome voltaria a iluminar uma conversa sobre o futuro do edifício que construiu. E que, no dia 30 de setembro de 2026, a esperança de devolver vida àquele espaço reuniria, no gabinete do prefeito, o sócio-proprietário da UniFAMESC, dr. Carlos Henrique Medeiros de Souza, o prefeito Paulo Sérgio Cyrillo e o memorialista Gino Martins Borges Bastos.

Nesse mesmo dia, o dr. Carlos Henrique havia recebido as chaves do antigo Cine Monte Líbano, marcando o início de um novo capítulo na história desse patrimônio cultural de Bom Jesus do Itabapoana. Não eram apenas chaves de metal. Eram chaves do tempo: de uma porta fechada havia 37 anos, mas que jamais se fechara inteiramente na memória dos bonjesuenses.

Ao recebê-las, ele acolhia também uma história feita de muitas gerações. Naquelas chaves parecia permanecer um pouco do rumor da antiga plateia, do brilho da tela, do movimento das cortinas, dos passos apressados antes das sessões e da emoção de quem, pela primeira vez, via o mundo chegar a Bom Jesus por meio da luz do cinema.

Gentilmente convidado pelo prefeito Paulo Sérgio Cyrillo, Gino Martins Borges Bastos foi apresentado ao dr. Carlos Henrique e ouviu, com profunda alegria, alguns dos projetos idealizados para o velho cinema.

A conversa foi pautada pela esperança, pela alegria e, sobretudo, pela fé no amanhã. Fé de que a cultura voltará a fazer morada no Cine Monte Líbano, de maneira ainda mais vibrante, transformando aquele histórico edifício em um farol para Bom Jesus do Itabapoana e toda a região.

Merhige Hanna Saad e Alzira Sauma

Gino aproveitou a oportunidade para apresentar algumas sugestões. Propôs a instalação de uma galeria de arte, com uma exposição permanente especialmente dedicada à história do prédio, à trajetória de Merhige Hanna Saad e à contribuição da comunidade libanesa e da UniFAMESC para o desenvolvimento do município.

Sugeriu também um espaço destinado ao extraordinário acervo da saudosa musicista Dona Nina, onde pudessem ser realizados recitais de piano e apresentações de outros instrumentos. Assim, sua memória permaneceria viva tanto nos objetos preservados quanto na música que continuaria a emocionar novas gerações.

Outra proposta foi a cessão de um espaço para acolher o tradicional grupo Amantes da Arte, expressão tão querida da alma bonjesuense. Gino sugeriu, ainda, um calendário anual de festivais de música, teatro, cinema, dança, poesia e jazz, aberto também a outras manifestações artísticas que encontrassem ali um lugar para frutificar.

Enquanto os projetos e as sugestões eram apresentados, parecia possível enxergar, por alguns instantes, o futuro chegando: as portas novamente abertas, as cadeiras ocupadas, o palco iluminado e o silêncio interrompido pela música, pela palavra dos poetas, pelas vozes dos atores e pelos aplausos de uma cidade reencontrando uma parte preciosa de sua história.

A esperança daquela reunião lembrava os antigos canhões de luz que iluminavam o céu durante a Festa de Agosto, no tempo em que Roberto Silveira governava o Estado do Rio de Janeiro. Seus poderosos feixes rompiam a escuridão e alcançavam grandes distâncias, como se anunciassem aos moradores das cidades vizinhas que Bom Jesus estava em festa.

Assim também poderá ser o novo Cine Monte Líbano: um facho luminoso atravessando a noite, chamando para perto aqueles que acreditam na força transformadora da cultura.

Existem luzes que iluminam o espaço. Outras iluminam também o tempo.

A luz daquele antigo projetor continua acesa na memória.


Um templo construído para os sonhos



Inaugurado com capacidade para cerca de mil pessoas, o Cine Monte Líbano constituiu um extraordinário marco arquitetônico para Bom Jesus do Itabapoana. À época, estimou-se que sua construção exigira o expressivo investimento de três milhões de cruzeiros.

Era uma obra de rara imponência para uma cidade do interior, comparável, em beleza e qualidade, aos grandes espaços culturais dos centros urbanos.

Por seu palco passaram importantes nomes do teatro e da música brasileira. Por sua plateia passaram sucessivas gerações de bonjesuenses.

Ali houve encontros e despedidas. Houve mãos que se tocaram discretamente no escuro, amores que começaram diante da tela, crianças que descobriram novos mundos e adultos que, durante algumas horas, puderam esquecer as dificuldades da vida.

Ali houve aplausos. Ali houve sonhos.

Por trás daquele majestoso edifício, havia também uma história de trabalho e pertencimento: a presença libanesa na construção de Bom Jesus do Itabapoana.

Ao erguer o Monte Líbano, Merhige Hanna Saad inscreveu na paisagem urbana uma página da imigração libanesa e de sua contribuição para o desenvolvimento econômico, social e cultural do município.

O próprio nome escolhido para o cinema atravessou as décadas como uma declaração de afeto à terra de origem: Monte Líbano.

Era como se, no coração do Vale do Itabapoana, uma montanha distante do Oriente tivesse encontrado uma nova pátria sem precisar esquecer a primeira.

Essa talvez seja uma das características mais belas da imigração. O imigrante pode amar profundamente a terra que o recebe e conservar, com igual ternura, a terra de onde veio. À nova pátria, oferece aquilo que trouxe na memória e nas mãos: costumes, coragem, perseverança, capacidade de trabalho e esperança.

O Cine Monte Líbano fechou suas portas em 1989. Desde então, transcorreram 37 anos.

Durante esse longo período, o velho cinema permaneceu como um gigante silencioso no centro da cidade. Quem passava diante dele talvez enxergasse somente um prédio fechado. A memória, porém, enxergava muito mais.

Enxergava Merhige Hanna Saad e os imigrantes libaneses que chegaram trazendo sotaques, costumes e sonhos. Enxergava comerciantes, famílias e descendentes cujas trajetórias se misturaram à formação do povo bonjesuense.

Enxergava as multidões que atravessaram aquelas portas, os artistas que pisaram naquele palco, os casais que ali se conheceram e as crianças que, com os olhos maravilhados, descobriram que a imaginação podia levá-las para muito além das montanhas que cercam Bom Jesus.

O cinema permaneceu fechado, mas nunca esteve verdadeiramente vazio. Dentro dele continuaram habitando todas essas lembranças.


As chaves de um novo tempo



Por isso, a chegada da UniFAMESC ao Cine Monte Líbano possui um significado que ultrapassa a recuperação física do imóvel. Representa um encontro entre o desenvolvimento e a memória.

Uma cidade cresce também quando reconhece o valor de suas raízes e encontra meios de preservá-las na vida cotidiana de seus habitantes. Recuperar um espaço como esse é permitir que a história continue a participar do presente.

É motivo de imenso regozijo perceber que o desenvolvimento educacional e econômico proporcionado pela UniFAMESC poderá caminhar, agora, ao lado da preservação histórica e do fortalecimento cultural.

Há uma profunda beleza nesse encontro: uma instituição dedicada à educação assumindo o compromisso de devolver vida a um antigo templo da cultura.

Onde a luz do projetor atravessava a escuridão para iluminar a tela, poderão acender-se novamente as luzes do conhecimento, da música, do teatro, da literatura, das artes e da convivência.


Onde houve silêncio, haverá vozes


Um dos prédios da UniFAMESC recebeu o nome de Paulo Sérgio Cyrillo, pai, em homenagem ao apoio que prestou à instalação da instituição em Bom Jesus do Itabapoana

Onde se depositou a poeira do tempo, haverá passos.

Onde a saudade permaneceu sentada, solitária, haverá novamente uma plateia inteira.

Nesse caminho, destaca-se também a atuação do prefeito Paulo Sérgio Cyrillo, que segue os passos de seu pai, Paulo Sérgio do Canto Cyrillo, levando a cultura aos diferentes cantos de Bom Jesus do Itabapoana. Existem heranças que se revelam na continuidade dos ideais, no cuidado com a história e na disposição de servir à comunidade.

Na reunião de 30 de setembro, a memória encontrou lugar à mesa e ajudou a orientar os sonhos para o futuro.

Será preciso tempo e trabalho para transformar os projetos em realidade. Haverá caminhos a percorrer, dificuldades a vencer e inúmeros detalhes a resolver. Mas muitas realizações começam assim: com pessoas reunidas, dispostas a dar forma a uma esperança compartilhada.

Naquela noite, essa esperança ganhou palavras, propostas e, sobretudo, mãos dispostas a conduzi-la.

E o coração de Bom Jesus começou a pressentir que o Cine Monte Líbano poderá despertar de seu longo silêncio.


O aplauso que atravessará as gerações



Quem sabe, quando suas portas se abrirem novamente, Merhige Hanna Saad esteja simbolicamente presente no saguão, no palco e na alegria da plateia.

Sua presença poderá ser reconhecida na continuidade de sua obra, no cuidado dedicado ao edifício e nas pessoas que voltarão a encontrar ali um lugar para a arte e o convívio.

Talvez, invisível aos olhos, ele caminhe pelo saguão, contemple as luzes acesas e perceba que seu sonho atravessou o tempo. Repousou durante muitos anos, guardado na memória da cidade, até encontrar novas mãos, novas vozes e novos corações.

A UniFAMESC estará ajudando Bom Jesus do Itabapoana a reencontrar uma parte preciosa de sua alma. Entre aquelas paredes, ainda parecem ecoar os passos de tantas gerações, o murmúrio das conversas antes da sessão, os risos, os aplausos e o silêncio emocionado de quem descobria, diante de uma tela, que a vida podia ser maior do que o horizonte conhecido.

Existem lugares que guardam a nossa juventude mesmo depois que envelhecemos. O Cine Monte Líbano é um deles. Em sua penumbra, ficaram encontros, sonhos e saudades que o tempo não conseguiu apagar. A esperança de vê-lo novamente acolher a cidade faz nascer uma alegria terna: imaginar que nossos filhos e netos também terão suas próprias lembranças para guardar ali.

Que os projetos encontrem caminhos. Que as portas se abram para a música, o teatro, o cinema, a literatura e os encontros que dão sentido à vida de uma cidade. Que o Monte Líbano volte a iluminar a região e a reunir, sob o mesmo teto, a emoção de quem recorda e o encantamento de quem chega pela primeira vez.

Quando suas luzes voltarem a acender, talvez alguém pare diante da entrada, recorde uma sessão da infância e sinta os olhos marejarem. Depois, verá uma criança atravessar a mesma porta, segurando a mão de quem a trouxe.

Nesse instante, a saudade terá encontrado companhia.

E Bom Jesus poderá reconhecer, no brilho daquele olhar novo, o amanhã que tanto esperou.



Italian Vibes


 

Música Instrumental


 

Relaxing Piano With Bamboo Water