sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Cine Monte Líbano: nas mãos de um visionário, a memória começa a despertar

 


Existem fotografias que registram mais do que uma paisagem. Na imagem do Monte Líbano, a caçamba diante do prédio e os materiais na calçada anunciam algo que o coração bonjesuense há muito desejava: o começo de um reencontro. Sob as letras que atravessaram décadas no alto da fachada, a esperança já tem sinais concretos.

Na quarta-feira, 30 de setembro, o Dr. Carlos Henrique Medeiros, sócio-proprietário da UniFAMESC, recebeu as chaves do Cine Monte Líbano e imediatamente deu início às obras de restauro. Entre receber as chaves e colocar o sonho em movimento, não deixou que o tempo se perdesse. Seu dinamismo trouxe à cidade essa alegria tão especial de ver uma promessa começar a ganhar corpo.

Uma chave cabe na palma da mão. Mas há chaves que carregam o peso e a beleza da história de um povo. As do Cine Monte Líbano abrem também as lembranças de quem ali se emocionou diante de uma tela, ouviu música, encontrou amigos ou guardou, no silêncio de uma sessão, o primeiro segredo de amor.

Ao recebê-las, o Dr. Carlos Henrique assumiu a possibilidade de devolver vida a um lugar que permanece profundamente vivo na memória de Bom Jesus do Itabapoana.

Ele pertence àquela estirpe rara de pessoas visionárias que pensam grande e agem de modo grandioso. Pessoas capazes de olhar para uma construção antiga e perceber tudo o que ainda pode frutificar dentro dela. Seu gesto revela disposição para realizar, coragem para investir e sensibilidade para reconhecer que o futuro de uma cidade também se constrói com o cuidado dedicado à sua história.

O Monte Líbano guarda muitas camadas desse afeto. Guarda o sonho de Merhige Hanna Saad, os encontros de gerações, a emoção do cinema e a presença de tantos bonjesuenses que fizeram daquele espaço uma extensão de suas próprias vidas. Restaurá-lo é tocar, com respeito, essas lembranças; é preparar uma casa onde novas gerações poderão construir as suas.

Com a atuação do Dr. Carlos Henrique e da UniFAMESC, Bom Jesus vive um momento magnífico de desenvolvimento econômico e vê crescer a esperança de fortalecimento de sua vida cultural e de valorização de seu patrimônio histórico. Educação, trabalho, memória e arte podem caminhar juntos, ampliando as possibilidades de uma cidade que tem tanto a oferecer.

Por isso, os primeiros sinais da obra comovem. Há poesia nessa movimentação. Cada material colocado à porta parece trazer um recado ao velho cinema: a cidade ainda precisa de você. Ainda há histórias a contar, talentos a acolher, encontros a celebrar.

Talvez quem passe hoje diante do Monte Líbano diminua o passo e levante os olhos até seu nome. Talvez se lembre de alguém, de um filme, de uma noite que parecia esquecida. E, ao perceber que o restauro começou, leve consigo uma alegria nova: a de saber que aquela lembrança poderá encontrar abrigo no amanhã.

Nas mãos de um visionário, as chaves recebidas na quarta-feira já começaram a abrir esse caminho.

E Bom Jesus acompanha, emocionada, o despertar de uma parte preciosa de sua alma.

Dr Carlos Henrique Medeiros 


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