Existe um silêncio que muda para sempre o som de uma casa: aquele que chega quando a voz de uma mãe deixa de responder.
Tchaikovsky tinha apenas quatorze anos quando perdeu a sua. Em 1854, o cólera levou mais do que uma vida amada: interrompeu conversas, desfez pequenos hábitos, deixou sem destino as palavras que um filho ainda precisava dizer. A casa continuava ali. Mas como reconhecer inteiramente um lugar onde já não se pode chamar pela mãe e ouvir seus passos?
Ao ouvir a música que acompanha essa história, imaginamos o menino diante de uma janela. Do lado de fora, o inverno; dentro, uma falta para a qual ele ainda não encontrara palavras. Pode ser que esperasse escutar, no corredor, algum ruído familiar. A saudade começa também assim: por um instante, esquecemos a morte e acreditamos que a pessoa vai entrar.
Não sabemos em que medida aquela dor percorreu sua música. O coração de um compositor guarda caminhos que nenhuma biografia consegue iluminar por inteiro. Mas há melodias de Tchaikovsky que nos fazem pensar nesse desejo tão humano de alcançar alguém que ficou longe demais. Uma frase musical se ergue, demora, parece procurar uma resposta. E nós a acompanhamos, porque também temos os nossos nomes para chamar.
O menino cresceu. Vieram os anos, as obras, os aplausos. É emocionante imaginar que, em meio a tudo isso, pudesse permanecer a vontade de contar alguma coisa à mãe, uma alegria pequena, um receio, uma conquista. Há notícias que, mesmo depois de muito tempo, ainda procuramos entregar a quem partiu.
Então a música oferece o que pode. Dá duração à lembrança. Permite que a tristeza respire, que uma lágrima encontre seu momento, que alguém permaneça sentado em silêncio sem se sentir inteiramente sozinho.
Para quem carrega uma ausência, talvez o consolo esteja nessa companhia. Escutamos uma melodia e, por alguns instantes, lembramos menos da despedida do que do carinho recebido: o timbre de uma voz, uma mão em nossa testa, o modo singular como diziam nosso nome.
A última nota se desfaz. Ficamos quietos, como quem evita interromper uma visita.
E, no coração do inverno, guardamos um pouco daquele abraço.

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